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Na página 12 da revista Scientific American Brasil do mês Março de 2011 (ANO Nove; Nº106) encontra-se o texto “Processando a Gripe”. Abaixo, segue a reportagem digitada. (As imagens não fazem parte da revista. Foram postadas por nós.)

“PROCESSANDO A GRIPE

Um ímã gigante ajuda a esclarecer como o vírus da influenza A sofre mutações para resistir aos medicamentos

Agora com a gripe resistindo aos medicamentos mais comuns, médicos e fabricantes de remédios enfrentam um crescente quebra-cabeça sobre como combater o vírus. Um ímã de 900 megahertz oferece novas pistas. Bioquímicos da Florida State University e da Young University usaram um ímã de 40 toneladas para obter imagens atômicas do vírus, não apenas para confirmar como ele escapa da aniquilação, mas também para revelar alternativas para a produção de novas drogas.

O estudo se concentrou na influenza A, o vírus responsável pelas cepas pandêmicas – mais especificamente, numa das proteínas da superfície do vírus conhecida como M2, que desempenha um papel importante na reprodução. Os medicamentos antivirais – Amantadina e Rimantadina, que foram amplamente usados durante anos para combater o vírus da influenza A, tampavam o caminho da proteína M2 como uma tampa de ralo de banheira, evitando sua reprodução. Ao longo dos anos, alterações na forma da M2 permitiram que a proteína conseguisse escorregar por entre essas tampas e evitar a erradicação. Em 2006, o Centers for Disease Control and Prevention emitiu uma recomendação contrária ao uso desses dois medicamentos. Embora o mecanismo geral de resistência já fosse conhecido havia algum tempo, o funcionamento da M2 era menos claro.

O grande ímã fornece uma visão interna do vírus, do mesmo modo que uma ressonância magnética por imagem (RMI) pode ser usada para examinar dentro de seus órgãos. A abordagem, chamada de espectroscopia por ressonância magnética nuclear (ERM) de estado sólido apresenta imagens semelhantes às da RMI, mas com diferenças fundamentais. O campo magnético gerado durante a RMI é capaz de torcer e girar o hidrogênio nas moléculas de água e alinhá-las. A imagem resultante – de um joelho, cérebro ou tumor – é uma foto das moléculas à medida que retornam para sua composição original; diferentes tecidos “giram” em diferentes velocidades.

Mas a proteína M2 fica na membrana celular que é repelente à água, impossibilitando que sejam feitas as imagens por MR. O campo magnético gerado pela espectroscopia de ressonância magnética nuclear (RMN) é capaz de torcer e girar outros elementos além do hidrogênio, possibilitando captar a imagem das proteínas que não vivem em meio aquoso. Além disso, as amostras podem ser congeladas, facilitando muito a observação de proteínas escorregadias como a M2.

Ao se concentrar nos átomos de nitrogênio, Timothy A. Cross da Florida State University e seus colaboradores foram capazes de determinar exatamente como a M2 funciona. Descobriram que a proteína, com a forma de um canal com poros em ambas as pontas, tem de ser ativada por um ambiente ácido para poder funcionar. Dois aminoácidos – histidina e triptofan – ativam o processo: a histidina carrega prótons de uma célula hospedeira para o interior viral, e a triptofan atua como um portão e abre-se assim que os prótons chegam. Essa passagem de prótons através dos poros da M2 é o que permite sua reprodução.

Segundo as descobertas, publicadas na Science, o mecanismo da M2 é único, o que pode significar boas notícias para os fabricantes de remédios. “Talvez possamos desenvolver um remédio que atinja especificamente essa [novidade] química”, diz Cross, observando que a dependência do vírus em relação à M2 poderia dificultar a mutação frente a uma droga específica.

– Jessica Wapner

Imagem da proteína M2.

His37→Histidina

Trp41→Triptofan

H+→Próton (Núcleo do átomo de Hidrogênio)

Viral Membrane→”Membrana Viral”

 

Site (Em inglês) do “Magnet Lab” (Mais sobre o Íma Gigante usado): link

 

Informações sobre o Ímã

ALTURA: 4. 7 m

TIPO DE ÍMA: SUPERCONDUTOR

MASSA: 36 287 Kg

DENSIDADE DE FLUXO MAGNÉTICO: 21. 1 T

OPERANTE DESDE: Julho, 2004

TEMPERATURA DE FUNCIONAMENTO: 1. 7 K

CUSTO: $19 milhões

COMPRIMENTO DOS CABOS SUPERCONDUTORES: 153 Km

DIÂMETRO (ESPAÇO DO ÍMÃ PARA EXPERIMENTO): 105 mm

São utilizados 2 400 litros de Hélio líquido (e outros compostos) para resfriá-lo até a temperatura ideal (e para matê-lo nessa mesma temperatura).

 

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RAIVA

CONSIDERAÇÕES GERAIS

A raiva é uma doença causada por um vírus da família Rhabdoviridae e do gênero Lyssavirus, que possui material genético do tipo fita de RNA simples e negativa (Para a síntese de proteínas é necessário que esse RNA seja transcrito em RNAm). Esse vírus possui uma camada bilipídica que envolve o nucleocapsídeo (de formato helicoidal e simétrico), e sua forma assemelha-se ao de uma “bala de revólver”.

A princípio, quando o patologista e microbiólogo italiano Adelchi Negri identificou o agente etiológico, o classificou como um parasita protozoário. Mais tarde, em 1903, o pesquisador Paul Remlinger descreveu corretamente o agente etiológico: um vírus. Esse agente pode ser inativado por vários meios, um deles, muito interessante, é pela incidência de luz ultravioleta no sistema contendo o vírus.

O CICLO DE REPLICAÇÃO DO VÍRUS

O vírus é reconhecido pela célula hospedeira através dos receptores em sua camada externa (Acredita-se que os receptores desse vírus são de fosfolipídios e não somente de proteínas), e então, por fusão ou endocitose, se infiltra na célula onde começa o processo de reprodução viral.

A transcrição do RNA para RNAm ocorre no citoplasma de onde as fitas desse último se dirigem até os ribossomos para a síntese de proteínas formadoras da cápsula viral. Ocorre a multiplicação do RNA original para a inserção nos capsídeos e a produção dos receptores.

Para finalizar, a união do material genético com o capsídeo recém-formado (nucleocapsídeo) sai então da célula, levando consigo parte da membrana plasmática da célula hospedeira (membrana esta onde o vírus expõe seus receptores de fosfolipídicos), pronto então para iniciar outro ciclo para geração de mais incontáveis vírus.

COMPORTAMENTO DO VÍRUS “IN CORPUS”

O vírus causador da raiva se multiplica no local do ferimento. Daí migra para o tecido nervoso periférico próximo ao local e é transportado dentro do axônio do neurônio até a medula espinhal, e segue até chegar finalmente ao sistema nervoso central. Após atingir o “núcleo do processamento cognitivo” (famoso cérebro), o vírus se espalha através do sistema nervoso periférico atingindo então, glândulas (a salivar é uma delas, o que propicia a infecção via mordida), fígado, músculos, pele e o coração.

A detecção do vírus se dá pela análise do tecido, onde são encontrados os corpúsculos de Negri (Corpúsculos de Inclusão é o nome que se dá, em virologia, às estruturas que se formam no interior da célula infectada durante o período de replicação viral. Os corpúsculos são bem maiores que cada partícula viral e possuem afinidade por corantes ácidos – o que facilita sua detecção). O Corpúsculo de Negri é especial, pois é o único corpúsculo já encontrado que se forma no citoplasma da célula hospedeira.

SINTOMAS, TRATAMENTO E PREVENÇÃO (ESTA É APENAS UMA PESQUISA COM FINS ACADÊMICOS – NÃO SOMOS MÉDICOS. SE NECESSITA DE AJUDA, CONSULTE UM PROFISSIONAL DA SAÚDE.)

Qualquer animal de sangue quente (inclusive o ser humano) pode transmiti-la. A transmissão se dá normalmente por contato direto: mordidas ou arranhões de animais infectados (A saliva ou fluídos do animal infectado em contato com o sangue do animal sadio). Existem casos onde a infecção se dá pela placenta, amamentação ou transplante de córnea.

Os sintomas da doença causada pelo vírus são os seguintes:

1.    Fase Inicial: Dor no local da mordida, seguidas de vômitos, náuseas e mal estar (“mau humor”);

2.    Fase Excitatória: Surgem espasmos musculares intensos da faringe e laringe, muitas dores durante a deglutição de alimentos (mesmo líquido – Daí surge a hidrofobia, um sintoma que erroneamente considera-se como a própria doença);

3.    Na fase final, a morte é iminente (Caso não seja vacinado).

Outros sintomas não listados acima são a irritação excessiva (raiva), alucinações, insônia e ansiedade extrema (Provocados por estímulos aleatórios visuais e acústicos). Na minoria dos casos, pode-se manifestar paralisia muscular e asfixia.

Os danos causados são devidos a encefalite (inflamação e danos no cérebro). Embora pareça estranho, a raiva possui o maior índice de mortalidade (superando os vírus mais temidos como Ebola, HIV, HCV e agentes da dengue e febre amarela).

Não há tratamento estabelecido para a raiva. Até o momento, todas as terapias antivirais falharam (na maioria dos casos). A raiva é uma doença quase sempre fatal. Alguns métodos de coma induzido funcionaram para alguns pacientes. Quanto aos casos de cura, cinco dos seis haviam tomado a vacina anti-rábica antes da inoculação do vírus.

A raiva pode ser prevenida vacinando-se os animais domésticos. A vacina para humanos em casos raros pode desenvolver meningoencefalite alérgica. É por vezes impossível saber se o animal apresentava comportamentos agressivos devido à doença ou se os manifestava por outra razão, logo é importante consultar o médico logo após o contato para receber a vacina, que neste caso previne o aparecimento da doença mesmo após a infecção, desde que administrada imediatamente. Deve-se a Pasteur (Médico e microbiólogo francês) o crédito da síntese da vacina contra a raiva.

Segundo a Wikipédia, “A vacina utilizada de rotina nos programas de saúde pública no Brasil desde 2003 é a Vacina Purificada de Células Vero. Esta vacina foi desenvolvida na França, na década de 1980, faz parte da moderna geração de vacinas contra raiva e é considerada muito segura e potente. No Brasil, é importada pelo Instituto Butantan, em São Paulo, e distribuída e utilizada em todo o país pelo Ministério da Saúde.”

Há na vacina um composto orgânico (β-Propiolactona, um álcool – figura no lado esquerdo do parágrafo anterior.), que inativa o vírus da raiva, não permitindo que ele avance em sua replicação.

PROTOCOLO DE MILWAUKEE

É um tratamento experimental para o tratamento da raiva em seres humanos. O tratamento consiste em colocar o paciente em coma induzido e administrar medicamentos antivirais. Foi criado por Rodney Willoughby Jr, baseado no tratamento de uma garota em Wisconsin (bem sucedido). A paciente Jeanna Giese foi a primeira de três pacientes que sobreviveram a raiva sem receber a vacina anti-rábica.

Houve um caso no Brasil em 2009 confirmado da cura da raiva, um jovem de 15 anos que contraiu a doença após ser mordido por um morcego. Foi curado no Hospital Oswaldo Cruz em Recife.

Exames realizados posteriormente indicaram ausência do vírus no paciente após a aplicação do protocolo, determinando assim a cura.

CURIOSIDADES HISTÓRICAS

O termo “raiva” deriva do latim rabere (um verbo) e significa em português “fúria” ou “delírio”. Assim como as demais línguas indo-européias, o latim possui raiz na língua sânscrita, sendo rabere derivada de rabhas que significa “tornar-se violento”. Os gregos chamavam-na de Lyssa ou Lytta (Loucura, demência).

Há muito se acreditou durante a antiguidade que a raiva era causada por entidades sobrenaturais, como demônios ou maus espíritos. Havia uma lei na Mesopotâmia que lidava com a doença declarando que o dono do animal infectado, caso este último provocasse a morte de alguém, deveria pagar uma indenização ao Estado. Gregos e romanos discutiam a origem e tratamento para doença, um desses que vigorou até Pasteur foi a Cauterização.

O médico italiano Girolamo Fracastoro descreveu que o contato da saliva do animal infectado com o sangue do animal sadio era o motivo da infecção (Aristóteles, na antiguidade, foi o primeiro a propor essa hipótese).

DIA INTERNACIONAL DO COMBATE À RAIVA

Por iniciativa da Aliança para o Controle da Raiva (com sigla ARC, do inglês “Alliance for Rabies Control”), desde 2007 o dia 28 de setembro é dedicado ao combate à doença. Fundada em 2005, na Escócia, a ARC vem estabelecendo parceria com entidades de saúde nacionais e transnacionais no sentido de realizar programações que envolvam o alerta, esclarecimento e combate à doença em todo o planeta.

DESCONTRAÇÃO

Muito tempo antes do feito Épico de Pasteur, o pesquisador Boris Zamochovich, utilizando-se como cobaia, provou que o vírus da raiva pode ser transmitido através da saliva.“Muito tempo antes do feito Épico de Pasteur, o pesquisador Boris Zamochovich, utilizando-se como cobaia, provou que o vírus da raiva pode ser transmitido através da saliva.”

Sobre a β-Propiolactona

PS: Para observar as imagens em tamanho maior basta abri-las em outra aba ou janela.

VÍRUS

Entre os seres vivos a diversidade de espécies é extremamente grande. Podemos encontrar formas de vida bastante diferentes entre si e, ao mesmo, formas de vida muito semelhantes. Essas diferenças e semelhanças se devem, em princípio, ao seu material genético que contém as características hereditárias das espécies e são transmitidas de geração a geração por meio de reprodução sexuada.

Esses seres vivos são agrupados em reinos de acordo com suas características morfológicas, fisiológicas e grau de desenvolvimento. Entretanto, um grupo de seres vivos, os VÍRUS, chama a atenção pela sua organização simples. Por essa simplicidade, os VÍRUS são classificados num grupo a parte e não se encaixam em nenhum reino.

I) CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS

VÍRUS são os únicos organismos, entre todos, que apresentam apenas organização molecular, sendo formados por moléculas de proteínas e um único tipo de ácido nucléico no qual encontramos as características hereditárias de cada espécie.

Os VÍRUS não possuem metabolismo próprio e, por isso são parasitas intracelulares obrigatórios. Esses organismos necessitam do equipamento bioquímico de uma célula hospedeira para poder realizar o processo de reprodução. Podem parasitar organismos procariontes, como as bactérias, ou eucariontes, como os animais e vegetais.

Fora das células hospedeiras não apresentam normalmente atividade e, muitos tipos de VÍRUS vagam na atmosfera por um longo tempo, quando assumem uma forma de cristal. Todavia, há algumas formas de VÍRUS que, em contato com o ar atmosférico, sofrem ressecamento e acabam sedo destruídos como, por exemplo, o HIV.

Segundo The Medical News, “o Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV) desenvolveu o sistema de classificação atual e escreveu as diretrizes que colocar um peso maior sobre as propriedades de determinados vírus para manter a uniformidade da família. Uma taxonomia unificada (um sistema universal para classificar os vírus) foi estabelecida. O 7 º Relatório lCTV formalizada pela primeira vez o conceito de espécies de vírus como o menor taxon (grupo) em uma hierarquia de ramificação dos taxa viral. No entanto, actualmente apenas uma pequena parte da diversidade total de vírus tem sido estudada, com análises de amostras de seres humanos constatação de que cerca de 20% das seqüências do vírus recuperado não ter sido visto antes, e as amostras do meio ambiente, tais como a água do mar e de sedimentos oceânicos, descobrindo que a grande maioria das seqüências são completamente novos.”

“A estrutura geral taxonômica é a seguinte:

Ordem (-virales)

Família (-viridae)

Subfamília (-virinae)

Gênero (”vírus”)

Espécie (”vírus”)”

II) ORGANIZAÇÃO DOS VÍRUS

Em relação aos níveis de organização, os VÍRUS estão apenas no molecular, e muitos autores só os consideram seres vivos quando estão reproduzindo-se no interior de uma célula hospedeira.

A organização de um VÍRUS apresenta uma capsula protéica e um único tipo de material genético, que pode ser DNA ou RNA, nunca os dois ao mesmo tempo. A cápsula protéica realiza a função de proteger o material genético, local onde são encontradas as características genéticas de cada organismo.

Entre os VÍRUS, há algumas espécies, como o HIV, que apresentam uma organização um pouco maior. O HIV, que é responsável pela AIDS, apresenta além da cápsula protetora e material genético, moléculas de proteína e lipídios na sua estrutura.

Considerando apenas o material genético encontrado no interior da cápsula dos VÍRUS, podemos dividi-los em dois grupos. Assim, temos o VÍRUS de DNA como o Bacteriófago, parasita específico de bactérias, e os VÍRUS de RNA como o HIV, que parasita linfócitos humanos.

III) CICLO DE VIDA DOS VÍRUS

O ciclo de vida de um VÍRUS é realizado totalmente no interior de uma célula hospedeira. Esses organismos utilizam as estruturas celulares e consomem grande parte da energia da célula para a produção das peças virais. Essas peças, cápsula protéica e material genético, são produzidas separadamente e depois unidas para a formação de novos organismos.

Esse ciclo de vida pode ser de dois tipos: lítico e lisogênico. Quando o ciclo é lítico, a célula hospedeira é destruída, isto é, sofre lise, e no final do processo reprodutivo do VÍRUS a célula morre. O ciclo é do tipo lisogênico quando o VÍRUS não promove a destruição da célula hospedeira.

No ciclo de vida lítico, do bacteriófago, o VÍRUS introduz na célula hospedeira apenas seu material genético (DNA) que passa a comandar o metabolismo celular. Dessa forma, enzimas presentes no citoplasma da célula passam a produzir inúmeras cópias do DNA viral por meio do processo de replicação. Esse DNA viral é transcrito e ocorre a formação de RNA(m) viral que, junto com os ribossomos produzem várias cópias da cápsula do VÍRUS. Em seguida, o material genético do VÍRUS é colocado no interior da cápsula protéica e os novos VÍRUS estão prontos. Ao final do ciclo, a bactéria sofre lise (ruptura) e os VÍRUS produzidos são eliminados ao ambiente, podendo então parasitar outras bactérias e recomeçar o ciclo.

Considerando o ciclo lisogênico, também do bacteriófago, o DNA viral é introduzido no citoplasma e se incorpora ao DNA bacteriano. Nesse caso,  o material genético celular viral passa a fazer parte do material genético celular aumentando as características genéticas da bactéria. No processo, a célula bacteriana não sofre lise.

IV) DOENÇAS CAUSADAS POR VÍRUS

Todos os VÍRUS são parasitas intracelulares obrigatórios e, quando realizam o seu ciclo de reprodução, provocam viroses prejudicando os organismos hospedeiros. As viroses são as doenças causadas por VÍRUS  e podem ocorrer, principalmente, nos vegetais e animais. Uma virose pode ser disseminada numa população de várias maneiras como a reprodução, o contato físico entre os organismos ou ainda pelo ar.

Entre os vegetais, podemos citar a virose do mosaico do tabaco, a virose do enrolamento da folha da videira ou a virose que causa manchas nas nervuras de várias plantas. Essas viroses, por afetarem plantas com grande interesse econômico para o homem, acabam sendo objeto de estudo dos institutos de pesquisas agrárias.

Nos animais, as viroses são bastante comuns, principalmente nas populações muito numerosas por causa da fácil disseminação do VÍRUS entre os indivíduos.

Nos seres humanos, as viroses se propagam com grande rapidez dependendo das condições de vida que a população apresenta. Em países pobres, essa propagação é muito mais rápida em razão da falta de recursos para a prevenção da doença. Numa determinada população, o número de pessoas afetadas pela virose é muito maior entre crianças e idosos do que nos adultos.

O combate a essas doenças é feito por meio da produção de anticorpos pelo organismo após o reconhecimento desses antígenos pelos glóbulos brancos, è importante lembrar que a prevenção é a medida principal para a diminuição do número de pessoas afetadas por uma determinada doença.

IV-a) DEFINIÇÕES EPIDEMIOLÓGICAS

Segundo a Wikipédia, Agente etiológico “é a denominação dada ao agente causador de uma doença. Normalmente, este causador precisa de um vetor para proliferar tal doença (ou seja, completar seu ciclo de parasitismo). Este vetor pode ser animado ou inanimado. Existem centenas de agentes etiológicos dos quais podem causar, se não tratados, uma série de más consequências. Dentro dessas centenas de agentes etiológicos, há que ter em conta que podem ser de origem endógena ou exógena.

Ainda, segundo a Wikipédia vetor (epidemiologia) “é todo ser vivo capaz de transmitir um agente infectante, de maneira ativa ou passiva.

Um agente infectante é qualquer parasita capaz de infectar um organismo. A transmissão ativa ocorre quando o vetor é infectado e então, infecta outra espécie de organismo. A maneira passiva ocorre quando o vetor não é infectado pelo agente infectante, mas causa a infecção de outra espécie de organismo.

Em Biologia, hospedeiro é um organismo que abriga outro em seu interior ou o carrega sobre si.

Uma epidemia se caracteriza pela incidência, em curto período de tempo, de grande número de casos de uma doença.”

“A ocorrência, numa comunidade ou região, de casos de doença, acidente, malformação congênita, comportamento especificamente relacionado com a saúde ou outros acontecimentos relacionados com a saúde que ocorre em um determinado momento e espaço, é um fato até aqui normal, já que interagimos com o ambiente e outras formas de vida. Um surto epidêmico ocorre quando há um grande desequilíbrio com o agente (ou surgimento de um), sendo este posto em vantagem. Este desequilíbrio é comum quando uma nova estirpe do organismo aparece (mutação) ou quando o hospedeiro é exposto pela primeira vez ao agente.

Segundo InfoEscola,

Endemia é uma doença localizada em um espaço limitado denominado “faixa endêmica”. Isso quer dizer que, endemia é uma doença que se manifesta apenas numa determinada região, de causa local.

A pandemia é uma epidemia que atinge grandes proporções, podendo se espalhar por um ou mais continentes ou por todo o mundo, causando inúmeras mortes ou destruindo cidades e regiões inteiras.

“De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a pandemia pode se iniciar com o aparecimento de uma nova doença à população, quando o agente infecta os humanos, causando doença séria ou quando o agente esparrama facilmente e sustentavelmente entre humanos. Os critérios de definição de uma pandemia são os seguintes: a doença ou condição além de se espalhar ou matar um grande número de pessoas, deve ser infecciosa.

V) O VÍRUS DO HIV E A AIDS NA ESPÉCIE HUMANA

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é provocada por um VÍRUS do tipo retrovírus, que é caracterizado por apresentar a enzima transcriptase reversa, que realiza a produção de DNA, usando como molde um segmento de RNA. O HIV parasita as células dos linfócitos, glóbulos brancos importantes na produção de anticorpos de defesa. Destruindo esses linfócitos o HIV provoca um estado de imunodeficiência e, o portador fica vulnerável às doenças oportunistas em virtude da falta de anticorpos.

Esse tipo de VÍRUS pode ficar incubado no organismo por muito tempo sem ocorrer manifestação. Quando o VÍRUS se manifesta, provoca a deficiência no sistema de imunização do indivíduo, facilitando o aparecimento de uma série de infecções por todo o corpo, levando-o à morte.

A doença não tem cura (Com exceção ao caso do jovem na Europa), porém não é ela que provoca a morte do indivíduo, mas sim as doenças oportunistas que aparecem com a perda de imunidade. Portanto, a prevenção se torna indispensável na luta contra a doença. As principais medidas de prevenção são: o uso de preservativos nas relações sexuais; a realização de exames para detectar a presença do HIV no sangue usado numa possível transfusão de sangue e a utilização de seringas descartáveis.

A transmissão da doença se dá, principalmente, por relações sexuais sem o uso de preservativos, transfusão de sangue e seringas compartilhadas. De maneira menos comum, a doença é transmitida pela placenta ou pela amamentação.

VI) DENGUE

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida, no Brasil, através do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Atualmente, a dengue é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o mundo.

Em todo o mundo, existem quatro tipos de dengue, já que o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4.

A dengue é conhecida no Brasil desde os tempos de colônia. O mosquito Aedes aegypti tem origem africana. Ele chegou ao Brasil junto com os navios negreiros, depois de uma longa viagem de seus ovos dentro dos depósitos de água das embarcações.

Segundo a Wikipédia, “A transmissão se faz pela picada da fêmea contaminada do mosquito Aedes aegypti/Aedes albopictus, pois o macho se alimenta apenas de seiva de plantas. No Brasil, ocorre com maior frequência o Aedes aegypti. Após um repasto de sangue infectado, o mosquito está apto a transmitir o vírus, depois de 8 a 12 dias de incubação extrínseca. A transmissão mecânica também é possível, quando o repasto é interrompido e o mosquito, imediatamente, se alimenta num hospedeiro susceptível próximo. Um único mosquito desses em toda a sua vida (45 dias em média) pode contaminar até 300 pessoas.“

“Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia, nem de fontes de água ou alimento.”

“O diagnóstico é feito clinicamente e por meio de exames laboratoriais. As pessoas em áreas endêmicas que têm sintomas como febre alta devem consultar um médico para fazer análises sendo que o diagnóstico normalmente é feito por isolamento viral através de inoculação de soro sanguíneo (IVIS) em culturas celulares ou por sorologia esse procedimento é essencial para saber se o paciente é portador do vírus da dengue.”

“A definição da Organização Mundial de Saúde de febre hemorrágica de dengue tem sido usada desde 1975. Todos os quatro critérios devem ser preenchidos:

1. Febre;

2. Tendência hemorrágica (teste de torniquete positivo, contusões espontâneas, sangramento da mucosa, vômito de sangue ou diarréia sanguinolenta);

3. Trombocitopenia (<100.000 plaquetas por mm³);

4. Evidência de vazamento plasmático (hematócrito mais de 20% maior do que o esperado ou queda no hematócrito de 20% ou mais da linha de base após fluido IV, derrame pleural, ascite, hipoproteinemia).”

“A determinação da doença por exame de laboratório faz-se através de testes sorológicos, com presença de anticorpos classe IgM (única amostra de soro) ou “IgG” (aumento de título em amostras pareadas) ou isolando o agente etiológico, que é o método mais específico. Estes dois exames são complementares.”

Para o tratamento “o paciente é aconselhado pelo médico a ficar em repouso e beber líquidos. É importante então evitar a automedicação, porque pode ser perigosa, já que a prescrição médica desaconselha usar remédios à base de ácido acetilsalicílico (AAS) ou outros antiinflamatórios não-esteróides (AINEs) normalmente usados para febre, porque eles facilitam a hemorragia. Contudo, caso o nível de plaquetas desça abaixo do nível funcional mínimo (trombocitopenia) justifica-se a transfusão desses elementos e quanto a outros medicamentos ou vacina para a cura, ainda não existem.”

“Ainda não há vacinas comercialmente disponíveis para a dengue, mas a comunidade científica internacional e brasileira está trabalhando firme neste propósito.”

“A dengue, com quatro vírus identificados até o momento, é um desafio para os pesquisadores, pois a sua vacina é mais complexa que as demais. É necessário fazer uma combinação de todos os vírus para que se obtenha um imunizante realmente eficaz contra a doença.”

Sobre a prevenção e a profilaxia, “o controle é feito basicamente através do combate ao mosquito vetor, principalmente na fase larval do inseto. Deve-se evitar o acúmulo de água em possíveis locais de desova dos mosquitos. Quanto à prevenção individual da doença, aconselha-se o uso de janelas teladas, além do uso de repelentes.

É importante tratar de todos os lugares onde se encontram as fases imaturas do inseto, neste caso, a água. O mosquito da dengue coloca seus ovos em lugares com água parada limpa. Embora na fase larval os insetos estejam na água, os ovos são depositados pela mãe na parede dos recipientes, aguardando a subida do nível da água para eclodirem.”

VII) ALGUNS VÍDEOS INTERESSANTES

“Cogito, ergo sum” (René Descartes)