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Na página 10 da revista Scientific American Brasil do mês Maio de 2011 (ANO Nove; Nº108) encontra-se o texto “Vencendo a Dengue pela Esperteza”. Abaixo, segue a reportagem digitada.

Vencendo a Dengue pela Esperteza

Por que vacinar mosquitos, e não pacientes

Logo ao nascer do sol, no início de janeiro passado, uma van de entregas rodava por uma rua de subúrbio em Queensland, na Austrália. Transportava tubos com mosquitos da dengue, doença parecida com a gripe que ataca entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas ao ano, no mundo inteiro. Ocupantes do veículo faziam paradas a cada quatro casas e liberavam 40 mosquitos no ambiente. Ao final de uma semana, haviam liberado 6 mil insetos e até o início de março chegaram a 72 mil.

À primeira vista pode parecer bioterrorismo. Mas, na realidade, esta é uma nova forma de controle biológico de insetos. Scott O’Neill, da University of Queensland, e seus colegas estão testando um novo método de reduzir a propagação da dengue, um pesadelo crescente nos trópicos que agora apareceu nos Estados Unidos. Ainda que quase sempre não seja fatal, a dengue pode levar pacientes para o hospital. E ela não tem cura nem vacina.

A estratégia inovadora de O’Neill é vacinar os mosquitos em vez de pacientes. Em seu laboratório, com a ajuda de um microscópio funcionários injetam a bactéria Wolbachia pipientis, inofensiva para humanos e comum entre insetos, em ovos de mosquitos Aedes aegypti, principal transmissor da dengue. O’Neill descobriu que a Wolbachia torna o A. aegypti imune ao transmissor da dengue. E toda a descendência do mosquito inoculado herda essa imunidade

O método de O’Neill, não vinculado a modificação genética, contrasta com os esforços para controle da dengue que ganharam manchetes no fim do ano passado. Em dezembro, a companhia britânica de tecnologia Oxitec liberou, na Malásia, 6 mil mosquitos machos geneticamente modificados, para espanto de alguns grupos que manifestaram preocupação com possíveis efeitos de insetos GM em humanos e ecossistemas. Os resultados para a Malásia ainda não etão disponíveis. Mas Luke Alphey, cientista-chefe e fundador da Oxitec, prevê que uma liberação anterior de 3,3 milhões de mosquitos na Ilha da Grande Caimã resultou em redução de 80% na quantidade de Aedes aegypti. E isso porque muitas fêmeas se acasalaram com parceiros tornados geneticamente inférteis.

Os resultados obtidos por O’Neill também são promissores. Testes iniciais demonstraram que cerca de 25% das larvas na população vivendo na Natureza estavam infectadas com Wolbachia. Em fins deste mês de maio, quando termina a estação úmida na Austrália, ele espera alcançar a meta de seu experimento: demonstrar que a Wolbachia consegue invadir uma população de A. aegypti na Natureza. Em caso positivo, ele espera iniciar uma tentativa semelhante no Vietnã no início do verão boreal.

-Rebecca Coffey”

Há também nessa mesma edição, das páginas 52 a 59, uma reportagem sobre bactérias. A reportagem trata sobre os riscos de uma enorme variedade de infecções bacterianas devido aos novos padrões de resistência aos antibióticos.

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ANTRAZ (Ou Carbúnculo) é o nome da doença altamente infecciosa causada pela bactéria Bacillus anthracis. Essa bactéria, assim como a doença, será descrita no decorrer desta leitura. Lembre-se que o conteúdo disponível nesse blog é puramente acadêmico. Não somos profissionais da saúde. Em caso de suspeita procure um posto de saúde ou hospital mais próximo.

B. anthracis

A bactéria causadora da doença supracitada é do gênero Bacillus, uma bactéria encapsulada (Cápsula antifagocítica no caso dessa bactéria), imóvel. As bactérias desse gênero são reconhecidas por possuírem um formato de bastonete sendo, em geral, patogênicas aos seres humanos e outros mamíferos. São produtoras de endósporos todas as espécies desse gênero. Muitas produzem toxinas, o que desencadeia a doença.

  • Endósporos: São estruturas dormentes e duras com fins não-reprodutivos produzidos por um grupo específico de bactérias. Sua função primária é garantir a sobrevivência da bactéria durante períodos de stress ambiental. São resistentes a muitos agentes químicos,  físicos, variações de temperatura e escassez de nutrientes vitais para a bactéria. Podem ser encontrados com mais facilidade no solo ou na água. Na B. anthracis esses endósporos são gerados quando ela é exposta ao gás oxigênio.

Essa bactéria, assim como outras do seu gênero, é Gram positiva, sendo, portanto, facilmente identificada adicionando o corante principal cristal violeta à solução contendo a cepa de bactérias destinadas a análise. Sendo a sua categoria Gram positiva isso significa que possuem uma parede celular espessa de peptideoglicano em volta de sua membrana plasmática (Na porção exterior da célula). Além do peptideoglicano encontramos também polissacarídeos denominados ácidos teicóicos na sua parede. Esses ácidos são polímeros de glicerol e ribitol fosfatos que estão ligados ao peptideoglicano ou à membrana plasmática. Carregados negativamente, eles podem ajudar no transporte de íons positivos para o interior ou para o exterior da célula e no armazenamento de fósforo.

ANTRAZ (Carbúnculo)

É uma doença comum em animais herbívoros (Selvagens ou domésticos) que também pode afetar o ser humano (Já que este pode estar exposto a algum dos animais infectados, tecidos dos mesmos ou elevadas concentrações de endósporos da bactéria B. anthracis).

Essa doença se torna grave e de alta virulência quando os endósporos da bactéria são inalados ou atingem um número superior a dez mil endósporos (Esse número pode ser letal). Nas “Notas Adicionais” no final desse post descreveremos o potencial dessa bactéria para se tornar (Assim como já foi usada no ano de 2001) o principio ativo de armas biológicas.

Nos seres humanos os casos da doença se devem por exposição aos animais infectados, ingestão de carne contaminada, ou pele. A doença se manifesta de três maneiras: Cutânea, pulmonar e gastrointestinal. Não há relatos de transmissão de doenças entre humanos por contágio direto (Contato entre humanos). Normalmente o contágio se da por contato com os endósporos da bactéria.

1.      Cutânea – A maioria das infecções ocasionadas de forma natural pela B. anthracis é dessa forma. O número de mortes é mínimo quando tratada a doença. A infecção cutânea tem inicio com uma pequena pápula que progride para uma vesícula em um ou dois dias e erupciona deixando uma úlcera necrótica com centro enegrecido (Vide NA no final desse post). A lesão é normalmente indolor. Outros sintomas podem ser febre, mal-estar, dor de cabeça e possível inflamação dos linfonodos adjacentes.

2.      Gastrointestinal – Normalmente possui como causa a ingestão de carne contaminada pelo agente etiológico. É caracterizada por uma inflamação aguda no trato digestivo. Existem ferimentos na base da língua ou nas tonsilas palatinas (Nome atual das antigas “amígdalas”), com dor de garganta, febre, disfagia e inflamação dos linfonodos da região (Linfoadenopatia regional). Há também inflamação aguda do intestino. Sinais iniciais de náusea, perda de apetite, vômito e febre são seguidos por dor abdominal, hematemese e melena (Saída de sangue de origem gastrointestinal pela boca e excreção de fezes pastosas de cor escura de odor fétido – sinal de hemorragia proveniente da porção do estômago ao intestino delgado devido à coloração – respectivamente).

3.      Pulmonar – É resultado da inspiração de endósporos da B. anthracis. O período de incubação é inversamente proporcional a dose de exposição. B. anthracis continua na forma de endósporos por muitas semanas o que normalmente não ocorre nos outros modos da doença, fato estudado em diversas pesquisas. Os endósporos germinam no interior do pulmão e iniciam a multiplicação nos macrófagos alveolares. Os sintomas iniciais incluem dor de garganta, febre moderada e dores musculares. Depois de alguns dias, estes sintomas podem evoluir para dispnéia (Falta de ar) e choque (Choque Séptico – Nesse caso ocorre a vasodilatação de todos os vasos sanguíneos de forma inapropriada devido à liberação das endotoxinas pela bactéria). Frequentemente se desenvolve meningite (Vide NA).  Os endósporos são fagocitados por macrófagos alveolares que se deslocam até os linfonodos da região e durante o deslocamento os endósporos germinam dentro dos macrófagos tornando-se bactérias vegetativas. Essas bactérias são liberadas e multiplicam-se nos linfonodos, causando mediastinite (inflamação do mediastino – onde estão localizados coração, pulmões, grandes vasos e outras estruturas importantes) hemorrágica, e se disseminam pelo corpo através da corrente sanguínea.

A imagem abaixo ilustra o ciclo do contágio da doença. Verificamos a partir da imagem que mosquitos também podem transmitir os endósporos para o ser humano (Assim como o contato com o solo e água contaminados que não estão tão explícitos na figura).

TRATAMENTO

Para o tratamento do ANTRAZ são utilizados agentes antimicrobianos, como as penicilinas e a doxiciclina. Nos casos de ANTRAZ respiratório, gastrointestinal, meníngeo e cutâneo com sinais de envolvimento sistêmico (Edema extenso, ou de lesões na cabeça e pescoço) requerem terapia intravenosa. Apesar do tratamento precoce e intenso, o prognóstico dos pacientes com ANTRAZ respiratório, gastrointestinal, meníngeo permanece obscuro. A terapia com antibióticos deve ser mantida pelo menos quatorze dias após a remissão dos sintomas.

Para pacientes alérgicos a penicilina pode-se usar cloranfenicol, eritromicina, tetraciclina, ou ciprofloxacina. Nos casos em que se suspeita da resistência a penicilina e a doxiciclina deve-se administrar ciprofloxacina empiricamente.

Ainda não existem preparações contra toxinas da B. anthracis, portanto, o tratamento precoce é essencial. Caso a doença atinja certo ponto conhecido como “Não-Retorno” é pouco provável que o paciente sobreviva, mesmo com o tratamento coreto. As toxinas são cumulativas e ficam retidas pelo organismo mesmo após a morte das bactérias por algum tempo (Tempo este capaz de levar o dito paciente nesse estágio para os braços da morte).

PREVENÇÃO

As maneiras de se prevenir o antraz é evitar o contato com animais e produtos contaminados e evitar comer carne mal cozida. Outra forma de prevenção é a vacina. A vacina tem 93% de eficácia na proteção contra a infecção. Depois de tomada a primeira dose deve se tomar as doses subsequentes em duas e quatro semanas, e seis,doze e dezoito meses depois da data da primeira vacinação. Assim que completo o cronograma, reforços são recomendados anualmente. Vale a pena lembrar que a vacina de animais não deve ser usada em humanos.

NOTAS ADICIONAIS (NA)

1.      O nome antraz (Em português) deriva do grego anthrax que se traduz como “carvão” devido à relação entre esse composto de carbono e a coloração dos ferimentos.

2.      Durante a leitura de um livro religioso famoso (A Bíblia), encontramos Moisés e as dez pragas do Egito. Uma das pragas (Possivelmente ANTRAZ) foi a causadora de ulcerações na pele da população egípcia. Muitos relatos indicam que essa doença é uma velha conhecida da humanidade. O que nos leva crer que poderia ser essa doença é a descrição de como foi o ritual e como se descrevia a praga: “Deus instrui Moisés a tomar mãos cheias de cinza de forno e a espalhar o pó, provocando nos homens e nos animais tumores que se arrebentem em úlceras por toda a terra do Egito.”

3.      ANTRAZ Meníngea – O envolvimento das meninges é uma complicação rara do antraz. A porta de entrada mais comum é a pele. A bactéria pode se disseminar para o sistema nervoso central através de disseminação hematogênica ou linfática. Meningite por antraz é quase sempre fatal. A morte ocorre de um a seis dias após o inicio da doença, apesar da terapia intensiva com antibióticos. Além dos sintomas meníngeos e rigidez de nuca, os pacientes apresentam febre, fatiga, mialgia, cefaléia, náuseas, vômitos, e algumas vezes agitação, convulsões, e delírio. Os sintomas iniciais são seguidos por rápida degeneração neurológica e morte. Os achados encontrados na patologia são meningite hemorrágica, edema extenso, infiltrado inflamatório, e numerosas bactérias gram-positivas na leptomeninge. O fluido cefalorraquidiano é freqüentemente sanguinolento e contem bacilos gram-positivos.

4.      Em 2001 foram registrados vários casos de ataques biológicos nos EUA por endósporos de B. anthracis enviados em cartas para a população e departamentos do governo. Muitas mortes ocorreram e o evento aconteceu uma semana após a queda das Torres Gêmeas. Abaixo uma das cartas enviadas pelos terroristas (Há possível envolvimento de um cientista americano no caso).

Carta enviada por terroristas demonstrando o verdadeiro objetivo da carta contendo endósporos da bactéria B. anthracis.

Tradução da carta:

“09-11-01

Vocês não podem nos impedir.

Nós temos esse antraz.

Vocês morrem agora.

Vocês estão assustados?

Morte à América.

Morte a Israel.

Alá é Grande.”

RAIVA

CONSIDERAÇÕES GERAIS

A raiva é uma doença causada por um vírus da família Rhabdoviridae e do gênero Lyssavirus, que possui material genético do tipo fita de RNA simples e negativa (Para a síntese de proteínas é necessário que esse RNA seja transcrito em RNAm). Esse vírus possui uma camada bilipídica que envolve o nucleocapsídeo (de formato helicoidal e simétrico), e sua forma assemelha-se ao de uma “bala de revólver”.

A princípio, quando o patologista e microbiólogo italiano Adelchi Negri identificou o agente etiológico, o classificou como um parasita protozoário. Mais tarde, em 1903, o pesquisador Paul Remlinger descreveu corretamente o agente etiológico: um vírus. Esse agente pode ser inativado por vários meios, um deles, muito interessante, é pela incidência de luz ultravioleta no sistema contendo o vírus.

O CICLO DE REPLICAÇÃO DO VÍRUS

O vírus é reconhecido pela célula hospedeira através dos receptores em sua camada externa (Acredita-se que os receptores desse vírus são de fosfolipídios e não somente de proteínas), e então, por fusão ou endocitose, se infiltra na célula onde começa o processo de reprodução viral.

A transcrição do RNA para RNAm ocorre no citoplasma de onde as fitas desse último se dirigem até os ribossomos para a síntese de proteínas formadoras da cápsula viral. Ocorre a multiplicação do RNA original para a inserção nos capsídeos e a produção dos receptores.

Para finalizar, a união do material genético com o capsídeo recém-formado (nucleocapsídeo) sai então da célula, levando consigo parte da membrana plasmática da célula hospedeira (membrana esta onde o vírus expõe seus receptores de fosfolipídicos), pronto então para iniciar outro ciclo para geração de mais incontáveis vírus.

COMPORTAMENTO DO VÍRUS “IN CORPUS”

O vírus causador da raiva se multiplica no local do ferimento. Daí migra para o tecido nervoso periférico próximo ao local e é transportado dentro do axônio do neurônio até a medula espinhal, e segue até chegar finalmente ao sistema nervoso central. Após atingir o “núcleo do processamento cognitivo” (famoso cérebro), o vírus se espalha através do sistema nervoso periférico atingindo então, glândulas (a salivar é uma delas, o que propicia a infecção via mordida), fígado, músculos, pele e o coração.

A detecção do vírus se dá pela análise do tecido, onde são encontrados os corpúsculos de Negri (Corpúsculos de Inclusão é o nome que se dá, em virologia, às estruturas que se formam no interior da célula infectada durante o período de replicação viral. Os corpúsculos são bem maiores que cada partícula viral e possuem afinidade por corantes ácidos – o que facilita sua detecção). O Corpúsculo de Negri é especial, pois é o único corpúsculo já encontrado que se forma no citoplasma da célula hospedeira.

SINTOMAS, TRATAMENTO E PREVENÇÃO (ESTA É APENAS UMA PESQUISA COM FINS ACADÊMICOS – NÃO SOMOS MÉDICOS. SE NECESSITA DE AJUDA, CONSULTE UM PROFISSIONAL DA SAÚDE.)

Qualquer animal de sangue quente (inclusive o ser humano) pode transmiti-la. A transmissão se dá normalmente por contato direto: mordidas ou arranhões de animais infectados (A saliva ou fluídos do animal infectado em contato com o sangue do animal sadio). Existem casos onde a infecção se dá pela placenta, amamentação ou transplante de córnea.

Os sintomas da doença causada pelo vírus são os seguintes:

1.    Fase Inicial: Dor no local da mordida, seguidas de vômitos, náuseas e mal estar (“mau humor”);

2.    Fase Excitatória: Surgem espasmos musculares intensos da faringe e laringe, muitas dores durante a deglutição de alimentos (mesmo líquido – Daí surge a hidrofobia, um sintoma que erroneamente considera-se como a própria doença);

3.    Na fase final, a morte é iminente (Caso não seja vacinado).

Outros sintomas não listados acima são a irritação excessiva (raiva), alucinações, insônia e ansiedade extrema (Provocados por estímulos aleatórios visuais e acústicos). Na minoria dos casos, pode-se manifestar paralisia muscular e asfixia.

Os danos causados são devidos a encefalite (inflamação e danos no cérebro). Embora pareça estranho, a raiva possui o maior índice de mortalidade (superando os vírus mais temidos como Ebola, HIV, HCV e agentes da dengue e febre amarela).

Não há tratamento estabelecido para a raiva. Até o momento, todas as terapias antivirais falharam (na maioria dos casos). A raiva é uma doença quase sempre fatal. Alguns métodos de coma induzido funcionaram para alguns pacientes. Quanto aos casos de cura, cinco dos seis haviam tomado a vacina anti-rábica antes da inoculação do vírus.

A raiva pode ser prevenida vacinando-se os animais domésticos. A vacina para humanos em casos raros pode desenvolver meningoencefalite alérgica. É por vezes impossível saber se o animal apresentava comportamentos agressivos devido à doença ou se os manifestava por outra razão, logo é importante consultar o médico logo após o contato para receber a vacina, que neste caso previne o aparecimento da doença mesmo após a infecção, desde que administrada imediatamente. Deve-se a Pasteur (Médico e microbiólogo francês) o crédito da síntese da vacina contra a raiva.

Segundo a Wikipédia, “A vacina utilizada de rotina nos programas de saúde pública no Brasil desde 2003 é a Vacina Purificada de Células Vero. Esta vacina foi desenvolvida na França, na década de 1980, faz parte da moderna geração de vacinas contra raiva e é considerada muito segura e potente. No Brasil, é importada pelo Instituto Butantan, em São Paulo, e distribuída e utilizada em todo o país pelo Ministério da Saúde.”

Há na vacina um composto orgânico (β-Propiolactona, um álcool – figura no lado esquerdo do parágrafo anterior.), que inativa o vírus da raiva, não permitindo que ele avance em sua replicação.

PROTOCOLO DE MILWAUKEE

É um tratamento experimental para o tratamento da raiva em seres humanos. O tratamento consiste em colocar o paciente em coma induzido e administrar medicamentos antivirais. Foi criado por Rodney Willoughby Jr, baseado no tratamento de uma garota em Wisconsin (bem sucedido). A paciente Jeanna Giese foi a primeira de três pacientes que sobreviveram a raiva sem receber a vacina anti-rábica.

Houve um caso no Brasil em 2009 confirmado da cura da raiva, um jovem de 15 anos que contraiu a doença após ser mordido por um morcego. Foi curado no Hospital Oswaldo Cruz em Recife.

Exames realizados posteriormente indicaram ausência do vírus no paciente após a aplicação do protocolo, determinando assim a cura.

CURIOSIDADES HISTÓRICAS

O termo “raiva” deriva do latim rabere (um verbo) e significa em português “fúria” ou “delírio”. Assim como as demais línguas indo-européias, o latim possui raiz na língua sânscrita, sendo rabere derivada de rabhas que significa “tornar-se violento”. Os gregos chamavam-na de Lyssa ou Lytta (Loucura, demência).

Há muito se acreditou durante a antiguidade que a raiva era causada por entidades sobrenaturais, como demônios ou maus espíritos. Havia uma lei na Mesopotâmia que lidava com a doença declarando que o dono do animal infectado, caso este último provocasse a morte de alguém, deveria pagar uma indenização ao Estado. Gregos e romanos discutiam a origem e tratamento para doença, um desses que vigorou até Pasteur foi a Cauterização.

O médico italiano Girolamo Fracastoro descreveu que o contato da saliva do animal infectado com o sangue do animal sadio era o motivo da infecção (Aristóteles, na antiguidade, foi o primeiro a propor essa hipótese).

DIA INTERNACIONAL DO COMBATE À RAIVA

Por iniciativa da Aliança para o Controle da Raiva (com sigla ARC, do inglês “Alliance for Rabies Control”), desde 2007 o dia 28 de setembro é dedicado ao combate à doença. Fundada em 2005, na Escócia, a ARC vem estabelecendo parceria com entidades de saúde nacionais e transnacionais no sentido de realizar programações que envolvam o alerta, esclarecimento e combate à doença em todo o planeta.

DESCONTRAÇÃO

Muito tempo antes do feito Épico de Pasteur, o pesquisador Boris Zamochovich, utilizando-se como cobaia, provou que o vírus da raiva pode ser transmitido através da saliva.“Muito tempo antes do feito Épico de Pasteur, o pesquisador Boris Zamochovich, utilizando-se como cobaia, provou que o vírus da raiva pode ser transmitido através da saliva.”

Sobre a β-Propiolactona

PS: Para observar as imagens em tamanho maior basta abri-las em outra aba ou janela.