Category: Questionários


INTRODUÇÃO

Pertencentes ao Domínio Eukaryota são, em geral*, organismos autotróficos que possuem organelas membranosas, em especial cloroplastos**, que são capazes, na presença de luz de frequência correta, de sintetizar compostos orgânicos utilizando compostos inorgânicos durante o processo de fotossíntese.

FOTOSSÍNTESE: Do grego em genitivo singular φωτός, photos, “da luz”. Grego em nominativo σύνθεσις, synthesis, “geração por união, formação”, que em biologia podemos traduzir por “produção ou geração de energia na célula” e em química “formação de uma substância complexa a partir de compostos mais simples”. “Da luz, criação”.

Ao longo dos anos esse reino sofreu modificações em sua estrutura. Linneu, o pai da taxonomia, agrupou no reino Plantæ Algas, “plantas superiores” e fungos. Havia também a definição dada por Aristóteles que plantas seriam seres desprovidos de habilidades motoras ou órgãos sensitivos.

Após a descoberta de organismos unicelulares foram adicionadas bactérias e algas no reino plantæ.

Hoje devido à cladística – método moderno de taxonomia que enfatiza a relação evolutiva, onde um clado ou taxon (pl. taxa) deve ser monofilético – seres como algas, fungos e bactérias foram removidos do reino das plantas. O Reino Viridæplantæ é monofilético e é composto por indivíduos eucarióticos que fotossintetizam utilizando clorofilas A e B presentes em seus cloroplastos. Armazenam energia em sua modalidade química, em moléculas de glicose que compõem amido. As plantas possuem em suas células parede celular formada basicamente e essencialmente por glicose.

*Algumas plantas não realizam fotossíntese, e são parasitas de outras plantas.

**A teoria da endossimbiose explica a existência de cloroplastos (e mitocôndrias) em organismos eucariontes.

DIVISÕES

As plantas podem ser divididas em Bryophyta (sensu lato***) (I), Tracheophyta (II) e Spermatophyta (III). Os representantes das três divisões “mais importantes” serão comentados nos tópicos abaixo: Bryophyta (sensu stricto****) (I), Pteridophyta (II), Gymnospermæ (III) e Angiospermæ (III).

***Sentido mais amplo;

****Sentido mais específico.

BRYOPHYTA (Sensu lato)

Essa divisão é caracterizada por não possuir sistemas vasculares nem raízes, folhas e caule verdadeiros. São descendentes de algas verdes e foram os pioneiros no povoamento terrestre há milhões de anos atrás.

O ambiente onde habitam é úmido e muitas vezes com uma luminosidade um pouco baixa (poderíamos dizer “penumbrófilos”, visto que “umbrófilos” seriam aqueles indivíduos que preferem extrema sombra), somente a necessária para realização de fotossíntese.

As briófitas (bryon: musgo; e phyton: planta) não produzem flores (são criptógamas) e são, na linha evolutiva, a transição entre algas verdes clorofíceas e plantas vasculares.

Essas plantas são muito importantes para os ecossistemas que compõem. Formam desde florestas tropicais até tundras. Servem de abrigo para microssistemas, retenção de nutrientes e água, além de evitar erosão dos solos.

As briófitas possuem gametângios (anterídios e arquegônios, masculinos e femininos respectivamente), retêm o zigoto e o embrião pluricelular em desenvolvimento no arquegônio. Apresentam esporófito pluricelular diploide.

São três as divisões de indivíduos que compõem o subreino bryophyta. São eles:

  1. Hepaticophyta;
  2. Anthrocerotophyta;
  3. Bryophyta (sensu stricto).

Atentaremos-nos a divisão Bryophyta (sensu stricto) por representarem os conhecidos musgos.

BRYOPHYTA (Sensu stricto)

Essa divisão é composta pelos musgos. Suas estruturas são denominadas rizoide (pêlos absorventes), filódeos e cauloides. Por não apresentarem vasos vasculares realizam o transporte de nutrientes através de difusão (o que explica o seu tamanho reduzido e limite de crescimento).

São dependentes de água porque seus gametas são flagelados. Durante os períodos de chuva os gametas masculinos são levados pelas gotas e gotículas de água até o encontro com gametas femininos. As plantas dessa divisão possuem um gênero único (ou são só masculinas ou só femininas), e crescem muito próximas umas às outras, o que forma o chamado “tapete de musgo” (colônias) em encostas, troncos ou pedras.

Após a formação do zigoto, há a formação do esporófito que libera inúmeros esporos de briófitas que germinam e reiniciam o ciclo de reprodução.

(Vide a imagem abaixo sobre o ciclo de reprodução de uma briófita)PTERIDOPHYTA

As pteridófitas são um grupo de vegetais sem semente e possuidores de vasos condutores. Possuem raízes, caules e folhas e possuem como principais representantes as samambaias.

Nas pteridófitas o período mais longo é onde se encontram os esporófitos. Eles possuem maior dimensão do que gametófitos (que podem ser minúsculos). Muitos gametângios podem realizar associação com fungos para que possam sobreviver e consolidar a espécie. Assim como as briófitas, a união dos gametas gera um embrião que dá origem a um esporófito. Para que haja união dos gametas é necessária água.

As pteridófitas (samambaias e plantas afins) constituem um grupo de plantas relativamente importantes, estimando-se o total de espécies no mundo como sendo 9.000 (há quem estime 10.000 a 12.000 espécies), das quais cerca de 3.250 ocorrem nas Américas. Destas, cerca de 30% podem ser encontradas no território brasileiro, que abriga inclusive um dos centros de endemismo e especiação de pteridófitas do Continente.

As pteridófitas, como as briófitas, se reproduzem por meio de um ciclo que apresenta uma fase assexuada e outra sexuada.

Uma samambaia-de-metro, por exemplo, que é comum em residências, é uma planta assexuada produtora de esporos. Por isso, ela representa a fase chamada de esporófito.

Em certas épocas, na superfície inferior das folhas da samambaia, formam-se pontos escuros chamados de soros, onde se produzem os esporos.

Quando os esporos amadurecem, os soros abrem-se, deixando-os cair no solo úmido; cada esporo, então, pode germinar e originar um prótalo, uma plantinha bem pequena em forma de coração. O prótalo é uma planta sexuada, produtora de gametas; por isso, ele representa a fase chamada de gametófito.

No prótalo, formam-se os anterozóides e as oosferas. Os anterozóides, deslocando-se em água, nada em direção à oosfera, fecundando-a. Surge, então, o zigoto, que se desenvolve, transformando-se em uma nova samambaia. Quando adulta essa planta forma soros, iniciando novo ciclo de reprodução.

Este processo de reprodução em um ciclo com uma fase assexuada e outra sexuada denomina-se alternância de gerações.

(Vide ciclo reprodutivo de uma samambaia)GYMNOSPERMÆ

As gimnospermas (do grego Gymnos: nu; e sperma: semente) são plantas terrestres que vivem, preferencialmente, em ambientes de clima frio ou temperado. Nesse grupo incluem-se plantas como pinheiros, as sequóias e os ciprestes.

As gimnospermas possuem raízes, caule e folhas. Possuem também ramos reprodutivos com folhas modificadas chamadas estróbilos. Em muitas gimnospermas, como os pinheiros e as sequóias, os estróbilos são bem desenvolvidos e conhecidos como cones – o que lhes confere a classificação no grupo das coníferas. Há produção de sementes: elas se originam nos estróbilos femininos. No entanto, as gimnospermas não produzem frutos. Suas sementes são “nuas”, ou seja, não ficam encerradas em frutos.

O estróbilo masculino produz pequenos esporos chamados grãos de pólen. O estróbilo feminino produz estruturas denominadas óvulos. No interior de um óvulo maduro surge um grande esporo.

Quando um estróbilo masculino se abre e libera grande quantidade de grãos de pólen, esses grãos se espalham no ambiente e podem ser levados pelo vento até o estróbilo feminino. Então, um grão de pólen pode formar uma espécie de tubo, o tubo polínico, onde se origina o núcleo espermático, que é o gameta masculino. O tubo polínico cresce até alcançar o óvulo, no qual introduz o núcleo espermático.

No interior do óvulo, o grande esporo que ele abriga se desenvolve e forma uma estrutura que guarda a oosfera, o gameta feminino. Uma vez no interior do óvulo, o núcleo espermático fecunda a oosfera, formando o zigoto.

Este, por sua vez, se desenvolve, originando um embrião. À medida que o embrião se forma, o óvulo se transforma em semente, estrutura que contém e protege o embrião.

Nos pinheiros, as sementes são chamadas pinhões. Uma vez formados os pinhões, o cone feminino passa a ser chamado “pinha”. Se espalhadas na natureza por algum agente disseminador, as sementes podem germinar. Ao germinar, cada semente origina uma nova planta. Além disso, as sementes armazenam reservas nutritivas, que alimentam o embrião e garantem o seu desenvolvimento até que as primeiras folhas sejam formadas. A partir daí, a nova planta fabrica seu próprio alimento pela fotossíntese.

(Vide ciclo reprodutivo de gimnospermas).ANGIOSPERMÆ

As angiospermas produzem raiz, caule, folha, flor, semente e fruto. Considerando essas estruturas, perceba que, em relação às gimnospermas, as angiospermas apresentam duas características especiais: as flores e os frutos.

As flores podem ser vistosas tanto pelo colorido quanto pela forma; muitas vezes também exalam odor agradável e produzem um líquido açucarado – o néctar – que serve de alimento para as abelhas e outros animais. Há também flores que não têm peças coloridas, não são perfumadas e nem produzem néctar.

AS PARTES DA FLOR

Os órgãos de suporte – órgãos que sustentam a flor, tais como:

Pedúnculo – liga a flor ao resto do ramo.

Receptáculo – dilatação na zona terminal do pedúnculo, onde se inserem as restantes peças florais.

Órgãos de proteção

Órgãos que envolvem as peças reprodutoras propriamente ditas, protegendo-as e ajudando a atrair animais polinizadores. O conjunto dos órgãos de proteção designa-se perianto. Uma flor sem perianto diz-se nua.

Cálice – conjunto de sépalas, as peças florais mais parecidas com folhas, pois geralmente são verdes. A sua função é proteger a flor quando em botão. A flor sem sépalas diz-se assépala. Se todo o perianto apresentar o mesmo aspecto (tépalas), e for semelhante a sépalas diz-se sepalóide. Neste caso diz-se que o perianto é indiferenciado.

Corola – conjunto de pétalas, peças florais geralmente coloridas e perfumadas, com glândulas produtoras de néctar na sua base, para atrair animais. A flor sem pétalas diz-se apétala. Se todo o perianto for igual (tépalas), e for semelhante a pétalas diz-se petalóide. Também neste caso, o perianto se designa indiferenciado.

Órgãos de reprodução

Folhas férteis modificadas, localizadas mais ao centro da flor e designadas esporófilos. As folhas férteis masculinas formam o anel mais externo e as folhas férteis femininas o interno.

Androceu – parte masculina da flor, é o conjunto dos estames. Os estames são folhas modificadas, ou esporófilos, pois sustentam esporângios. São constituídas por um filete (corresponde ao pecíolo da folha) e pela antera (corresponde ao limbo da folha);

Gineceu – parte feminina da flor: é o conjunto de carpelos. Cada carpelo, ou esporófilo feminino, é constituído por uma zona alargada oca inferior designada ovário, local que contém óvulos. Após a fecundação, as paredes do ovário formam o fruto. O carpelo prolonga-se por uma zona estreita, o estilete, e termina numa zona alargada que recebe os grãos de pólen, designada estigma. Geralmente o estigma é mais alto que as anteras, de modo a dificultar a autopolinização.

Os frutos contêm e protegem as sementes e auxiliam na dispersão na natureza. Muitas vezes eles são coloridos, suculentos e atraem animais diversos, que os utiliza como alimento. As sementes engolidas pelos animais costumam atravessar o tubo digestivo intactas e são eliminadas no ambiente com as fezes, em geral em locais distantes da planta-mãe, pelo vento, por exemplo. Isso favorece a espécie na conquista de novos territórios.

(Vide esquema de reprodução de uma angiosperma).

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PAREDE CELULAR

As bactérias possuem uma espessa (rígida) parede celular que mantém a integridade da célula e determina sua forma característica. Como o citoplasma das bactérias contém uma alta concentração de substâncias dissolvidas, elas (as bactérias) geralmente se encontram em um estado hipotônico em relação ao meio em que se encontram. Por esse motivo existe uma tendência natural de a água fluir para o interior da célula, e sem a parede celular a célula bacteriana seria invadida pela água e sofreria lise (literalmente estouraria – lise osmótica). É possível demonstrar isso usando enzimas que degradam a parede celular restando apenas um protoplasto (célula cuja parede celular foi removida).

O componente principal da parede celular, que também é responsável pela sua rigidez, é o peptidoglicano (ou mureína). Esse composto possui uma grande massa molecular e seus monômeros são os que seguem: N-acetilglucosamina, ácido N-acetilmurâmico e uma pequena cadeia peptídica. Esta última possui em sua estrutura os aminoácidos L-alanina, D-alanina, ácido D-glutâmico podendo também conter L-lisina ou então ácido diaminopimélico. Este último é um raro aminoácido que só é encontrado na parede celular de seres procariontes.

As moléculas formadoras do peptidoglicano são sintetizadas no interior da célula e são transportadas pela membrana plasmática através do fosfolipídio bactoprenol-fosfato antes de se tornarem membros da estrutura da parede celular. Enzimas chamadas transpeptidases então ligam covalentemente as cadeias peptídicas umas às outras formando uma cadeia complexa. É a forma cruzada da ligação entre os compostos que formam a parede celular que dá à mesma sua força e resistência mecânica. Alguns antibióticos inibem a síntese da parede celular da célula; antibióticos baseados no anel β-lactâmico como a penicilina inibem as transpeptidases, enfraquecendo a parede celular, enquanto a bacitracina atinge o transporte dos precursores do peptidoglicano (que “caminham” em direção ao exterior da célula). Apesar de todas as bactérias (salvo algumas exceções) possuírem uma parede celular formada por peptidoglicano, existem dois grupos distintos quanto a sua forma de estrutura. Esses grupos são conhecidos por: bactérias Gram-positivas e bactérias Gram-negativas. O nome Gram provém do cientista Christian Gram, que no século XIX desenvolveu uma técnica de coloração rápida que poderia diferenciar bactérias pertencentes a um dos dois tipos básicos.

MÉTODO DE GRAM

Esquema da parede celular de uma célula Gram-positiva. É possível observar a camada espessa de peptidoglicano e as ligações feitas pelos ácidos teicóicos na parede ou na membrana plasmática (HOGG, Stuart, ESSENTIAL MICROBIOLOGY, 2005).

O método consiste em uma sequência do uso de corantes biológicos. Esses corantes são formados (em sua constituição molecular) por dois grupos: O que dá a coloração e o que é ionizado e reage com as estruturas do ser a ser estudado.

A princípio é adicionado um corante chamado cristal violeta e então se adiciona Iodo (que exerce função de mordente – funciona como um fixador). É adicionado então álcool (para dissolver a tintura e os lipídios dos compostos bacterianos) ao sistema e um número de células sobrevive ao tratamento, sendo que algumas delas ficam descoloridas. Para tingir as células que não foram afetadas em sua coloração pelo corante violeta é então inserido um contra-corante (safranina – ou vermelho básico 2) que é mais fraco que o corante principal e tingirá apenas as células que foram descoloridas durante a adição de álcool ao sistema. Aquelas que são tingidas de violeta são denominadas bactérias Gram-positivas e aquelas que não são tingidas pelo corante violeta são denominadas Gram-negativas.

Mesmo que o sistema de coloração de Gram fosse útil durante todos esses anos, o princípio pelo qual ele agia só foi descoberto após o desenvolvimento da microscopia eletrônica, que pôde explicar no nível de estruturas celulares moleculares como o processo ocorria.

BACTÉRIAS GRAM-POSITIVAS

Células Gram-positivas possuem uma parede relativamente simples em estrutura, composta por várias camadas de peptidoglicano ligado uns aos outros por ligações cruzadas formando uma rede rígida e forte. Além disso, eles possuem ligações químicas com ácidos teicóicos. Esses ácidos contêm um grupo fosfato, o que torna a superfície da célula carregada negativamente.

BACTÉRIAS GRAM-NEGATIVAS

Células Gram-negativas possuem uma quantidade muito menor de peptidoglicano do que as Gram-positivas. Isso faz com que sua parede celular não seja tão espessa e forte quanto a das outras supracitadas, mas sua estrutura é mais complexa devido ao fato da existência de uma membrana de lipoproteínas, polissacarídeos e fosfolipídios, que envolve sua parede celular. A essa membrana dá-se o nome de membrana externa.

Esquema da parede celular de uma célula Gram-negativa. É possível observar a camada fina (em comparação com as Gram-positivas) de peptidoglicano e a camada externa que forma uma membrana de lipopolissacarídeos. Existem as proteínas que permitem a comunicação (transporte de substâncias) do meio externo com o periplasma. (HOGG, Stuart, ESSENTIAL MICROBIOLOGY, 2005)

Ao invés de possuir uma camada dupla de fosfolipídios, como a membrana plasmática, ela (a membrana externa) possui apenas uma camada. A outra camada é formada por lipopolissacarídeos. Essa última camada é composta por três partes: lipídio A, um polissacarídeo central e uma cadeia lateral O específica. O lipídio A age como uma endotoxina, que se liberada na corrente sanguínea pode levar a sérias condições como febre e choque. Os antígenos O específicos são polissacarídeos cuja composição varia entre cepas de uma mesma espécie. Métodos sorológicos conseguem distinguir as cepas específicas, uma importante ferramenta para a descoberta de agentes etiológicos de certos surtos de uma determinada doença.

Proteínas incorporadas na membrana externa formam canais que permitem a passagem de água e pequenas moléculas para o “interior” da célula (lembrando que após passar pela membrana externa ainda existe a passagem pela membrana interna e a parede celular, não sendo assim uma passagem direta para o citoplasma). Na verdade, antes de atingir a membrana plasmática, o composto passa pelo periplasma (Essa região entre as duas membranas, onde se encontra também a parede celular).

Ao contrário da membrana plasmática, a membrana externa não exerce funções na respiração celular bacteriana.

AFINIDADE MOLECULAR

A afinidade entre os compostos (polar e apolar, hidrofílico e hidrofóbico) é o que caracteriza a interação desses mesmos compostos. A tintura violeta fica confinada na célula de bactérias Gram-positivas, pois ocorre a desidratação das proteínas e do peptidoglicano e isso causa o fechamento dos poros existentes na parede celular não permitindo que o corante saia da célula (A parede é muito mais espessa nas Gram-positivas, o que faz com que o número de poros fechados seja muito grande). O ácido teicóico ligado ao peptidoglicano e a membrana plasmática da bactéria Gram-positiva torna a parte externa da célula negativa, e isso caracteriza uma espécie de dipolo que pode induzir a fixação do corante com mais facilidade e por mais tempo. As forças intermoleculares atuam em moléculas polares com mais intensidade do que em moléculas apolares.

A membrana externa das bactérias Gram-negativas é removida pelo álcool e os poros da parede celular dessas células não são suficientes quando fechados para não permitir a saída do corante de seu interior. Assim o corante não encontra muita dificuldade para sair do seu citoplasma.

IMAGENS

COCOS

DIPLOCOCOS

ESTAFILOCOCOS
ESTREPTOCOCOS
BACILOS GRAM POSITIVOS Bacillus subtilis
BACILOS GRAM NEGATIVOS Escherichia coli
DIPLOBACILOS
ESTREPTOBACILOS

ANTRAZ (Ou Carbúnculo) é o nome da doença altamente infecciosa causada pela bactéria Bacillus anthracis. Essa bactéria, assim como a doença, será descrita no decorrer desta leitura. Lembre-se que o conteúdo disponível nesse blog é puramente acadêmico. Não somos profissionais da saúde. Em caso de suspeita procure um posto de saúde ou hospital mais próximo.

B. anthracis

A bactéria causadora da doença supracitada é do gênero Bacillus, uma bactéria encapsulada (Cápsula antifagocítica no caso dessa bactéria), imóvel. As bactérias desse gênero são reconhecidas por possuírem um formato de bastonete sendo, em geral, patogênicas aos seres humanos e outros mamíferos. São produtoras de endósporos todas as espécies desse gênero. Muitas produzem toxinas, o que desencadeia a doença.

  • Endósporos: São estruturas dormentes e duras com fins não-reprodutivos produzidos por um grupo específico de bactérias. Sua função primária é garantir a sobrevivência da bactéria durante períodos de stress ambiental. São resistentes a muitos agentes químicos,  físicos, variações de temperatura e escassez de nutrientes vitais para a bactéria. Podem ser encontrados com mais facilidade no solo ou na água. Na B. anthracis esses endósporos são gerados quando ela é exposta ao gás oxigênio.

Essa bactéria, assim como outras do seu gênero, é Gram positiva, sendo, portanto, facilmente identificada adicionando o corante principal cristal violeta à solução contendo a cepa de bactérias destinadas a análise. Sendo a sua categoria Gram positiva isso significa que possuem uma parede celular espessa de peptideoglicano em volta de sua membrana plasmática (Na porção exterior da célula). Além do peptideoglicano encontramos também polissacarídeos denominados ácidos teicóicos na sua parede. Esses ácidos são polímeros de glicerol e ribitol fosfatos que estão ligados ao peptideoglicano ou à membrana plasmática. Carregados negativamente, eles podem ajudar no transporte de íons positivos para o interior ou para o exterior da célula e no armazenamento de fósforo.

ANTRAZ (Carbúnculo)

É uma doença comum em animais herbívoros (Selvagens ou domésticos) que também pode afetar o ser humano (Já que este pode estar exposto a algum dos animais infectados, tecidos dos mesmos ou elevadas concentrações de endósporos da bactéria B. anthracis).

Essa doença se torna grave e de alta virulência quando os endósporos da bactéria são inalados ou atingem um número superior a dez mil endósporos (Esse número pode ser letal). Nas “Notas Adicionais” no final desse post descreveremos o potencial dessa bactéria para se tornar (Assim como já foi usada no ano de 2001) o principio ativo de armas biológicas.

Nos seres humanos os casos da doença se devem por exposição aos animais infectados, ingestão de carne contaminada, ou pele. A doença se manifesta de três maneiras: Cutânea, pulmonar e gastrointestinal. Não há relatos de transmissão de doenças entre humanos por contágio direto (Contato entre humanos). Normalmente o contágio se da por contato com os endósporos da bactéria.

1.      Cutânea – A maioria das infecções ocasionadas de forma natural pela B. anthracis é dessa forma. O número de mortes é mínimo quando tratada a doença. A infecção cutânea tem inicio com uma pequena pápula que progride para uma vesícula em um ou dois dias e erupciona deixando uma úlcera necrótica com centro enegrecido (Vide NA no final desse post). A lesão é normalmente indolor. Outros sintomas podem ser febre, mal-estar, dor de cabeça e possível inflamação dos linfonodos adjacentes.

2.      Gastrointestinal – Normalmente possui como causa a ingestão de carne contaminada pelo agente etiológico. É caracterizada por uma inflamação aguda no trato digestivo. Existem ferimentos na base da língua ou nas tonsilas palatinas (Nome atual das antigas “amígdalas”), com dor de garganta, febre, disfagia e inflamação dos linfonodos da região (Linfoadenopatia regional). Há também inflamação aguda do intestino. Sinais iniciais de náusea, perda de apetite, vômito e febre são seguidos por dor abdominal, hematemese e melena (Saída de sangue de origem gastrointestinal pela boca e excreção de fezes pastosas de cor escura de odor fétido – sinal de hemorragia proveniente da porção do estômago ao intestino delgado devido à coloração – respectivamente).

3.      Pulmonar – É resultado da inspiração de endósporos da B. anthracis. O período de incubação é inversamente proporcional a dose de exposição. B. anthracis continua na forma de endósporos por muitas semanas o que normalmente não ocorre nos outros modos da doença, fato estudado em diversas pesquisas. Os endósporos germinam no interior do pulmão e iniciam a multiplicação nos macrófagos alveolares. Os sintomas iniciais incluem dor de garganta, febre moderada e dores musculares. Depois de alguns dias, estes sintomas podem evoluir para dispnéia (Falta de ar) e choque (Choque Séptico – Nesse caso ocorre a vasodilatação de todos os vasos sanguíneos de forma inapropriada devido à liberação das endotoxinas pela bactéria). Frequentemente se desenvolve meningite (Vide NA).  Os endósporos são fagocitados por macrófagos alveolares que se deslocam até os linfonodos da região e durante o deslocamento os endósporos germinam dentro dos macrófagos tornando-se bactérias vegetativas. Essas bactérias são liberadas e multiplicam-se nos linfonodos, causando mediastinite (inflamação do mediastino – onde estão localizados coração, pulmões, grandes vasos e outras estruturas importantes) hemorrágica, e se disseminam pelo corpo através da corrente sanguínea.

A imagem abaixo ilustra o ciclo do contágio da doença. Verificamos a partir da imagem que mosquitos também podem transmitir os endósporos para o ser humano (Assim como o contato com o solo e água contaminados que não estão tão explícitos na figura).

TRATAMENTO

Para o tratamento do ANTRAZ são utilizados agentes antimicrobianos, como as penicilinas e a doxiciclina. Nos casos de ANTRAZ respiratório, gastrointestinal, meníngeo e cutâneo com sinais de envolvimento sistêmico (Edema extenso, ou de lesões na cabeça e pescoço) requerem terapia intravenosa. Apesar do tratamento precoce e intenso, o prognóstico dos pacientes com ANTRAZ respiratório, gastrointestinal, meníngeo permanece obscuro. A terapia com antibióticos deve ser mantida pelo menos quatorze dias após a remissão dos sintomas.

Para pacientes alérgicos a penicilina pode-se usar cloranfenicol, eritromicina, tetraciclina, ou ciprofloxacina. Nos casos em que se suspeita da resistência a penicilina e a doxiciclina deve-se administrar ciprofloxacina empiricamente.

Ainda não existem preparações contra toxinas da B. anthracis, portanto, o tratamento precoce é essencial. Caso a doença atinja certo ponto conhecido como “Não-Retorno” é pouco provável que o paciente sobreviva, mesmo com o tratamento coreto. As toxinas são cumulativas e ficam retidas pelo organismo mesmo após a morte das bactérias por algum tempo (Tempo este capaz de levar o dito paciente nesse estágio para os braços da morte).

PREVENÇÃO

As maneiras de se prevenir o antraz é evitar o contato com animais e produtos contaminados e evitar comer carne mal cozida. Outra forma de prevenção é a vacina. A vacina tem 93% de eficácia na proteção contra a infecção. Depois de tomada a primeira dose deve se tomar as doses subsequentes em duas e quatro semanas, e seis,doze e dezoito meses depois da data da primeira vacinação. Assim que completo o cronograma, reforços são recomendados anualmente. Vale a pena lembrar que a vacina de animais não deve ser usada em humanos.

NOTAS ADICIONAIS (NA)

1.      O nome antraz (Em português) deriva do grego anthrax que se traduz como “carvão” devido à relação entre esse composto de carbono e a coloração dos ferimentos.

2.      Durante a leitura de um livro religioso famoso (A Bíblia), encontramos Moisés e as dez pragas do Egito. Uma das pragas (Possivelmente ANTRAZ) foi a causadora de ulcerações na pele da população egípcia. Muitos relatos indicam que essa doença é uma velha conhecida da humanidade. O que nos leva crer que poderia ser essa doença é a descrição de como foi o ritual e como se descrevia a praga: “Deus instrui Moisés a tomar mãos cheias de cinza de forno e a espalhar o pó, provocando nos homens e nos animais tumores que se arrebentem em úlceras por toda a terra do Egito.”

3.      ANTRAZ Meníngea – O envolvimento das meninges é uma complicação rara do antraz. A porta de entrada mais comum é a pele. A bactéria pode se disseminar para o sistema nervoso central através de disseminação hematogênica ou linfática. Meningite por antraz é quase sempre fatal. A morte ocorre de um a seis dias após o inicio da doença, apesar da terapia intensiva com antibióticos. Além dos sintomas meníngeos e rigidez de nuca, os pacientes apresentam febre, fatiga, mialgia, cefaléia, náuseas, vômitos, e algumas vezes agitação, convulsões, e delírio. Os sintomas iniciais são seguidos por rápida degeneração neurológica e morte. Os achados encontrados na patologia são meningite hemorrágica, edema extenso, infiltrado inflamatório, e numerosas bactérias gram-positivas na leptomeninge. O fluido cefalorraquidiano é freqüentemente sanguinolento e contem bacilos gram-positivos.

4.      Em 2001 foram registrados vários casos de ataques biológicos nos EUA por endósporos de B. anthracis enviados em cartas para a população e departamentos do governo. Muitas mortes ocorreram e o evento aconteceu uma semana após a queda das Torres Gêmeas. Abaixo uma das cartas enviadas pelos terroristas (Há possível envolvimento de um cientista americano no caso).

Carta enviada por terroristas demonstrando o verdadeiro objetivo da carta contendo endósporos da bactéria B. anthracis.

Tradução da carta:

“09-11-01

Vocês não podem nos impedir.

Nós temos esse antraz.

Vocês morrem agora.

Vocês estão assustados?

Morte à América.

Morte a Israel.

Alá é Grande.”

RAIVA

CONSIDERAÇÕES GERAIS

A raiva é uma doença causada por um vírus da família Rhabdoviridae e do gênero Lyssavirus, que possui material genético do tipo fita de RNA simples e negativa (Para a síntese de proteínas é necessário que esse RNA seja transcrito em RNAm). Esse vírus possui uma camada bilipídica que envolve o nucleocapsídeo (de formato helicoidal e simétrico), e sua forma assemelha-se ao de uma “bala de revólver”.

A princípio, quando o patologista e microbiólogo italiano Adelchi Negri identificou o agente etiológico, o classificou como um parasita protozoário. Mais tarde, em 1903, o pesquisador Paul Remlinger descreveu corretamente o agente etiológico: um vírus. Esse agente pode ser inativado por vários meios, um deles, muito interessante, é pela incidência de luz ultravioleta no sistema contendo o vírus.

O CICLO DE REPLICAÇÃO DO VÍRUS

O vírus é reconhecido pela célula hospedeira através dos receptores em sua camada externa (Acredita-se que os receptores desse vírus são de fosfolipídios e não somente de proteínas), e então, por fusão ou endocitose, se infiltra na célula onde começa o processo de reprodução viral.

A transcrição do RNA para RNAm ocorre no citoplasma de onde as fitas desse último se dirigem até os ribossomos para a síntese de proteínas formadoras da cápsula viral. Ocorre a multiplicação do RNA original para a inserção nos capsídeos e a produção dos receptores.

Para finalizar, a união do material genético com o capsídeo recém-formado (nucleocapsídeo) sai então da célula, levando consigo parte da membrana plasmática da célula hospedeira (membrana esta onde o vírus expõe seus receptores de fosfolipídicos), pronto então para iniciar outro ciclo para geração de mais incontáveis vírus.

COMPORTAMENTO DO VÍRUS “IN CORPUS”

O vírus causador da raiva se multiplica no local do ferimento. Daí migra para o tecido nervoso periférico próximo ao local e é transportado dentro do axônio do neurônio até a medula espinhal, e segue até chegar finalmente ao sistema nervoso central. Após atingir o “núcleo do processamento cognitivo” (famoso cérebro), o vírus se espalha através do sistema nervoso periférico atingindo então, glândulas (a salivar é uma delas, o que propicia a infecção via mordida), fígado, músculos, pele e o coração.

A detecção do vírus se dá pela análise do tecido, onde são encontrados os corpúsculos de Negri (Corpúsculos de Inclusão é o nome que se dá, em virologia, às estruturas que se formam no interior da célula infectada durante o período de replicação viral. Os corpúsculos são bem maiores que cada partícula viral e possuem afinidade por corantes ácidos – o que facilita sua detecção). O Corpúsculo de Negri é especial, pois é o único corpúsculo já encontrado que se forma no citoplasma da célula hospedeira.

SINTOMAS, TRATAMENTO E PREVENÇÃO (ESTA É APENAS UMA PESQUISA COM FINS ACADÊMICOS – NÃO SOMOS MÉDICOS. SE NECESSITA DE AJUDA, CONSULTE UM PROFISSIONAL DA SAÚDE.)

Qualquer animal de sangue quente (inclusive o ser humano) pode transmiti-la. A transmissão se dá normalmente por contato direto: mordidas ou arranhões de animais infectados (A saliva ou fluídos do animal infectado em contato com o sangue do animal sadio). Existem casos onde a infecção se dá pela placenta, amamentação ou transplante de córnea.

Os sintomas da doença causada pelo vírus são os seguintes:

1.    Fase Inicial: Dor no local da mordida, seguidas de vômitos, náuseas e mal estar (“mau humor”);

2.    Fase Excitatória: Surgem espasmos musculares intensos da faringe e laringe, muitas dores durante a deglutição de alimentos (mesmo líquido – Daí surge a hidrofobia, um sintoma que erroneamente considera-se como a própria doença);

3.    Na fase final, a morte é iminente (Caso não seja vacinado).

Outros sintomas não listados acima são a irritação excessiva (raiva), alucinações, insônia e ansiedade extrema (Provocados por estímulos aleatórios visuais e acústicos). Na minoria dos casos, pode-se manifestar paralisia muscular e asfixia.

Os danos causados são devidos a encefalite (inflamação e danos no cérebro). Embora pareça estranho, a raiva possui o maior índice de mortalidade (superando os vírus mais temidos como Ebola, HIV, HCV e agentes da dengue e febre amarela).

Não há tratamento estabelecido para a raiva. Até o momento, todas as terapias antivirais falharam (na maioria dos casos). A raiva é uma doença quase sempre fatal. Alguns métodos de coma induzido funcionaram para alguns pacientes. Quanto aos casos de cura, cinco dos seis haviam tomado a vacina anti-rábica antes da inoculação do vírus.

A raiva pode ser prevenida vacinando-se os animais domésticos. A vacina para humanos em casos raros pode desenvolver meningoencefalite alérgica. É por vezes impossível saber se o animal apresentava comportamentos agressivos devido à doença ou se os manifestava por outra razão, logo é importante consultar o médico logo após o contato para receber a vacina, que neste caso previne o aparecimento da doença mesmo após a infecção, desde que administrada imediatamente. Deve-se a Pasteur (Médico e microbiólogo francês) o crédito da síntese da vacina contra a raiva.

Segundo a Wikipédia, “A vacina utilizada de rotina nos programas de saúde pública no Brasil desde 2003 é a Vacina Purificada de Células Vero. Esta vacina foi desenvolvida na França, na década de 1980, faz parte da moderna geração de vacinas contra raiva e é considerada muito segura e potente. No Brasil, é importada pelo Instituto Butantan, em São Paulo, e distribuída e utilizada em todo o país pelo Ministério da Saúde.”

Há na vacina um composto orgânico (β-Propiolactona, um álcool – figura no lado esquerdo do parágrafo anterior.), que inativa o vírus da raiva, não permitindo que ele avance em sua replicação.

PROTOCOLO DE MILWAUKEE

É um tratamento experimental para o tratamento da raiva em seres humanos. O tratamento consiste em colocar o paciente em coma induzido e administrar medicamentos antivirais. Foi criado por Rodney Willoughby Jr, baseado no tratamento de uma garota em Wisconsin (bem sucedido). A paciente Jeanna Giese foi a primeira de três pacientes que sobreviveram a raiva sem receber a vacina anti-rábica.

Houve um caso no Brasil em 2009 confirmado da cura da raiva, um jovem de 15 anos que contraiu a doença após ser mordido por um morcego. Foi curado no Hospital Oswaldo Cruz em Recife.

Exames realizados posteriormente indicaram ausência do vírus no paciente após a aplicação do protocolo, determinando assim a cura.

CURIOSIDADES HISTÓRICAS

O termo “raiva” deriva do latim rabere (um verbo) e significa em português “fúria” ou “delírio”. Assim como as demais línguas indo-européias, o latim possui raiz na língua sânscrita, sendo rabere derivada de rabhas que significa “tornar-se violento”. Os gregos chamavam-na de Lyssa ou Lytta (Loucura, demência).

Há muito se acreditou durante a antiguidade que a raiva era causada por entidades sobrenaturais, como demônios ou maus espíritos. Havia uma lei na Mesopotâmia que lidava com a doença declarando que o dono do animal infectado, caso este último provocasse a morte de alguém, deveria pagar uma indenização ao Estado. Gregos e romanos discutiam a origem e tratamento para doença, um desses que vigorou até Pasteur foi a Cauterização.

O médico italiano Girolamo Fracastoro descreveu que o contato da saliva do animal infectado com o sangue do animal sadio era o motivo da infecção (Aristóteles, na antiguidade, foi o primeiro a propor essa hipótese).

DIA INTERNACIONAL DO COMBATE À RAIVA

Por iniciativa da Aliança para o Controle da Raiva (com sigla ARC, do inglês “Alliance for Rabies Control”), desde 2007 o dia 28 de setembro é dedicado ao combate à doença. Fundada em 2005, na Escócia, a ARC vem estabelecendo parceria com entidades de saúde nacionais e transnacionais no sentido de realizar programações que envolvam o alerta, esclarecimento e combate à doença em todo o planeta.

DESCONTRAÇÃO

Muito tempo antes do feito Épico de Pasteur, o pesquisador Boris Zamochovich, utilizando-se como cobaia, provou que o vírus da raiva pode ser transmitido através da saliva.“Muito tempo antes do feito Épico de Pasteur, o pesquisador Boris Zamochovich, utilizando-se como cobaia, provou que o vírus da raiva pode ser transmitido através da saliva.”

Sobre a β-Propiolactona

PS: Para observar as imagens em tamanho maior basta abri-las em outra aba ou janela.

VÍRUS

Entre os seres vivos a diversidade de espécies é extremamente grande. Podemos encontrar formas de vida bastante diferentes entre si e, ao mesmo, formas de vida muito semelhantes. Essas diferenças e semelhanças se devem, em princípio, ao seu material genético que contém as características hereditárias das espécies e são transmitidas de geração a geração por meio de reprodução sexuada.

Esses seres vivos são agrupados em reinos de acordo com suas características morfológicas, fisiológicas e grau de desenvolvimento. Entretanto, um grupo de seres vivos, os VÍRUS, chama a atenção pela sua organização simples. Por essa simplicidade, os VÍRUS são classificados num grupo a parte e não se encaixam em nenhum reino.

I) CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS

VÍRUS são os únicos organismos, entre todos, que apresentam apenas organização molecular, sendo formados por moléculas de proteínas e um único tipo de ácido nucléico no qual encontramos as características hereditárias de cada espécie.

Os VÍRUS não possuem metabolismo próprio e, por isso são parasitas intracelulares obrigatórios. Esses organismos necessitam do equipamento bioquímico de uma célula hospedeira para poder realizar o processo de reprodução. Podem parasitar organismos procariontes, como as bactérias, ou eucariontes, como os animais e vegetais.

Fora das células hospedeiras não apresentam normalmente atividade e, muitos tipos de VÍRUS vagam na atmosfera por um longo tempo, quando assumem uma forma de cristal. Todavia, há algumas formas de VÍRUS que, em contato com o ar atmosférico, sofrem ressecamento e acabam sedo destruídos como, por exemplo, o HIV.

Segundo The Medical News, “o Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV) desenvolveu o sistema de classificação atual e escreveu as diretrizes que colocar um peso maior sobre as propriedades de determinados vírus para manter a uniformidade da família. Uma taxonomia unificada (um sistema universal para classificar os vírus) foi estabelecida. O 7 º Relatório lCTV formalizada pela primeira vez o conceito de espécies de vírus como o menor taxon (grupo) em uma hierarquia de ramificação dos taxa viral. No entanto, actualmente apenas uma pequena parte da diversidade total de vírus tem sido estudada, com análises de amostras de seres humanos constatação de que cerca de 20% das seqüências do vírus recuperado não ter sido visto antes, e as amostras do meio ambiente, tais como a água do mar e de sedimentos oceânicos, descobrindo que a grande maioria das seqüências são completamente novos.”

“A estrutura geral taxonômica é a seguinte:

Ordem (-virales)

Família (-viridae)

Subfamília (-virinae)

Gênero (”vírus”)

Espécie (”vírus”)”

II) ORGANIZAÇÃO DOS VÍRUS

Em relação aos níveis de organização, os VÍRUS estão apenas no molecular, e muitos autores só os consideram seres vivos quando estão reproduzindo-se no interior de uma célula hospedeira.

A organização de um VÍRUS apresenta uma capsula protéica e um único tipo de material genético, que pode ser DNA ou RNA, nunca os dois ao mesmo tempo. A cápsula protéica realiza a função de proteger o material genético, local onde são encontradas as características genéticas de cada organismo.

Entre os VÍRUS, há algumas espécies, como o HIV, que apresentam uma organização um pouco maior. O HIV, que é responsável pela AIDS, apresenta além da cápsula protetora e material genético, moléculas de proteína e lipídios na sua estrutura.

Considerando apenas o material genético encontrado no interior da cápsula dos VÍRUS, podemos dividi-los em dois grupos. Assim, temos o VÍRUS de DNA como o Bacteriófago, parasita específico de bactérias, e os VÍRUS de RNA como o HIV, que parasita linfócitos humanos.

III) CICLO DE VIDA DOS VÍRUS

O ciclo de vida de um VÍRUS é realizado totalmente no interior de uma célula hospedeira. Esses organismos utilizam as estruturas celulares e consomem grande parte da energia da célula para a produção das peças virais. Essas peças, cápsula protéica e material genético, são produzidas separadamente e depois unidas para a formação de novos organismos.

Esse ciclo de vida pode ser de dois tipos: lítico e lisogênico. Quando o ciclo é lítico, a célula hospedeira é destruída, isto é, sofre lise, e no final do processo reprodutivo do VÍRUS a célula morre. O ciclo é do tipo lisogênico quando o VÍRUS não promove a destruição da célula hospedeira.

No ciclo de vida lítico, do bacteriófago, o VÍRUS introduz na célula hospedeira apenas seu material genético (DNA) que passa a comandar o metabolismo celular. Dessa forma, enzimas presentes no citoplasma da célula passam a produzir inúmeras cópias do DNA viral por meio do processo de replicação. Esse DNA viral é transcrito e ocorre a formação de RNA(m) viral que, junto com os ribossomos produzem várias cópias da cápsula do VÍRUS. Em seguida, o material genético do VÍRUS é colocado no interior da cápsula protéica e os novos VÍRUS estão prontos. Ao final do ciclo, a bactéria sofre lise (ruptura) e os VÍRUS produzidos são eliminados ao ambiente, podendo então parasitar outras bactérias e recomeçar o ciclo.

Considerando o ciclo lisogênico, também do bacteriófago, o DNA viral é introduzido no citoplasma e se incorpora ao DNA bacteriano. Nesse caso,  o material genético celular viral passa a fazer parte do material genético celular aumentando as características genéticas da bactéria. No processo, a célula bacteriana não sofre lise.

IV) DOENÇAS CAUSADAS POR VÍRUS

Todos os VÍRUS são parasitas intracelulares obrigatórios e, quando realizam o seu ciclo de reprodução, provocam viroses prejudicando os organismos hospedeiros. As viroses são as doenças causadas por VÍRUS  e podem ocorrer, principalmente, nos vegetais e animais. Uma virose pode ser disseminada numa população de várias maneiras como a reprodução, o contato físico entre os organismos ou ainda pelo ar.

Entre os vegetais, podemos citar a virose do mosaico do tabaco, a virose do enrolamento da folha da videira ou a virose que causa manchas nas nervuras de várias plantas. Essas viroses, por afetarem plantas com grande interesse econômico para o homem, acabam sendo objeto de estudo dos institutos de pesquisas agrárias.

Nos animais, as viroses são bastante comuns, principalmente nas populações muito numerosas por causa da fácil disseminação do VÍRUS entre os indivíduos.

Nos seres humanos, as viroses se propagam com grande rapidez dependendo das condições de vida que a população apresenta. Em países pobres, essa propagação é muito mais rápida em razão da falta de recursos para a prevenção da doença. Numa determinada população, o número de pessoas afetadas pela virose é muito maior entre crianças e idosos do que nos adultos.

O combate a essas doenças é feito por meio da produção de anticorpos pelo organismo após o reconhecimento desses antígenos pelos glóbulos brancos, è importante lembrar que a prevenção é a medida principal para a diminuição do número de pessoas afetadas por uma determinada doença.

IV-a) DEFINIÇÕES EPIDEMIOLÓGICAS

Segundo a Wikipédia, Agente etiológico “é a denominação dada ao agente causador de uma doença. Normalmente, este causador precisa de um vetor para proliferar tal doença (ou seja, completar seu ciclo de parasitismo). Este vetor pode ser animado ou inanimado. Existem centenas de agentes etiológicos dos quais podem causar, se não tratados, uma série de más consequências. Dentro dessas centenas de agentes etiológicos, há que ter em conta que podem ser de origem endógena ou exógena.

Ainda, segundo a Wikipédia vetor (epidemiologia) “é todo ser vivo capaz de transmitir um agente infectante, de maneira ativa ou passiva.

Um agente infectante é qualquer parasita capaz de infectar um organismo. A transmissão ativa ocorre quando o vetor é infectado e então, infecta outra espécie de organismo. A maneira passiva ocorre quando o vetor não é infectado pelo agente infectante, mas causa a infecção de outra espécie de organismo.

Em Biologia, hospedeiro é um organismo que abriga outro em seu interior ou o carrega sobre si.

Uma epidemia se caracteriza pela incidência, em curto período de tempo, de grande número de casos de uma doença.”

“A ocorrência, numa comunidade ou região, de casos de doença, acidente, malformação congênita, comportamento especificamente relacionado com a saúde ou outros acontecimentos relacionados com a saúde que ocorre em um determinado momento e espaço, é um fato até aqui normal, já que interagimos com o ambiente e outras formas de vida. Um surto epidêmico ocorre quando há um grande desequilíbrio com o agente (ou surgimento de um), sendo este posto em vantagem. Este desequilíbrio é comum quando uma nova estirpe do organismo aparece (mutação) ou quando o hospedeiro é exposto pela primeira vez ao agente.

Segundo InfoEscola,

Endemia é uma doença localizada em um espaço limitado denominado “faixa endêmica”. Isso quer dizer que, endemia é uma doença que se manifesta apenas numa determinada região, de causa local.

A pandemia é uma epidemia que atinge grandes proporções, podendo se espalhar por um ou mais continentes ou por todo o mundo, causando inúmeras mortes ou destruindo cidades e regiões inteiras.

“De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a pandemia pode se iniciar com o aparecimento de uma nova doença à população, quando o agente infecta os humanos, causando doença séria ou quando o agente esparrama facilmente e sustentavelmente entre humanos. Os critérios de definição de uma pandemia são os seguintes: a doença ou condição além de se espalhar ou matar um grande número de pessoas, deve ser infecciosa.

V) O VÍRUS DO HIV E A AIDS NA ESPÉCIE HUMANA

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é provocada por um VÍRUS do tipo retrovírus, que é caracterizado por apresentar a enzima transcriptase reversa, que realiza a produção de DNA, usando como molde um segmento de RNA. O HIV parasita as células dos linfócitos, glóbulos brancos importantes na produção de anticorpos de defesa. Destruindo esses linfócitos o HIV provoca um estado de imunodeficiência e, o portador fica vulnerável às doenças oportunistas em virtude da falta de anticorpos.

Esse tipo de VÍRUS pode ficar incubado no organismo por muito tempo sem ocorrer manifestação. Quando o VÍRUS se manifesta, provoca a deficiência no sistema de imunização do indivíduo, facilitando o aparecimento de uma série de infecções por todo o corpo, levando-o à morte.

A doença não tem cura (Com exceção ao caso do jovem na Europa), porém não é ela que provoca a morte do indivíduo, mas sim as doenças oportunistas que aparecem com a perda de imunidade. Portanto, a prevenção se torna indispensável na luta contra a doença. As principais medidas de prevenção são: o uso de preservativos nas relações sexuais; a realização de exames para detectar a presença do HIV no sangue usado numa possível transfusão de sangue e a utilização de seringas descartáveis.

A transmissão da doença se dá, principalmente, por relações sexuais sem o uso de preservativos, transfusão de sangue e seringas compartilhadas. De maneira menos comum, a doença é transmitida pela placenta ou pela amamentação.

VI) DENGUE

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida, no Brasil, através do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Atualmente, a dengue é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o mundo.

Em todo o mundo, existem quatro tipos de dengue, já que o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4.

A dengue é conhecida no Brasil desde os tempos de colônia. O mosquito Aedes aegypti tem origem africana. Ele chegou ao Brasil junto com os navios negreiros, depois de uma longa viagem de seus ovos dentro dos depósitos de água das embarcações.

Segundo a Wikipédia, “A transmissão se faz pela picada da fêmea contaminada do mosquito Aedes aegypti/Aedes albopictus, pois o macho se alimenta apenas de seiva de plantas. No Brasil, ocorre com maior frequência o Aedes aegypti. Após um repasto de sangue infectado, o mosquito está apto a transmitir o vírus, depois de 8 a 12 dias de incubação extrínseca. A transmissão mecânica também é possível, quando o repasto é interrompido e o mosquito, imediatamente, se alimenta num hospedeiro susceptível próximo. Um único mosquito desses em toda a sua vida (45 dias em média) pode contaminar até 300 pessoas.“

“Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia, nem de fontes de água ou alimento.”

“O diagnóstico é feito clinicamente e por meio de exames laboratoriais. As pessoas em áreas endêmicas que têm sintomas como febre alta devem consultar um médico para fazer análises sendo que o diagnóstico normalmente é feito por isolamento viral através de inoculação de soro sanguíneo (IVIS) em culturas celulares ou por sorologia esse procedimento é essencial para saber se o paciente é portador do vírus da dengue.”

“A definição da Organização Mundial de Saúde de febre hemorrágica de dengue tem sido usada desde 1975. Todos os quatro critérios devem ser preenchidos:

1. Febre;

2. Tendência hemorrágica (teste de torniquete positivo, contusões espontâneas, sangramento da mucosa, vômito de sangue ou diarréia sanguinolenta);

3. Trombocitopenia (<100.000 plaquetas por mm³);

4. Evidência de vazamento plasmático (hematócrito mais de 20% maior do que o esperado ou queda no hematócrito de 20% ou mais da linha de base após fluido IV, derrame pleural, ascite, hipoproteinemia).”

“A determinação da doença por exame de laboratório faz-se através de testes sorológicos, com presença de anticorpos classe IgM (única amostra de soro) ou “IgG” (aumento de título em amostras pareadas) ou isolando o agente etiológico, que é o método mais específico. Estes dois exames são complementares.”

Para o tratamento “o paciente é aconselhado pelo médico a ficar em repouso e beber líquidos. É importante então evitar a automedicação, porque pode ser perigosa, já que a prescrição médica desaconselha usar remédios à base de ácido acetilsalicílico (AAS) ou outros antiinflamatórios não-esteróides (AINEs) normalmente usados para febre, porque eles facilitam a hemorragia. Contudo, caso o nível de plaquetas desça abaixo do nível funcional mínimo (trombocitopenia) justifica-se a transfusão desses elementos e quanto a outros medicamentos ou vacina para a cura, ainda não existem.”

“Ainda não há vacinas comercialmente disponíveis para a dengue, mas a comunidade científica internacional e brasileira está trabalhando firme neste propósito.”

“A dengue, com quatro vírus identificados até o momento, é um desafio para os pesquisadores, pois a sua vacina é mais complexa que as demais. É necessário fazer uma combinação de todos os vírus para que se obtenha um imunizante realmente eficaz contra a doença.”

Sobre a prevenção e a profilaxia, “o controle é feito basicamente através do combate ao mosquito vetor, principalmente na fase larval do inseto. Deve-se evitar o acúmulo de água em possíveis locais de desova dos mosquitos. Quanto à prevenção individual da doença, aconselha-se o uso de janelas teladas, além do uso de repelentes.

É importante tratar de todos os lugares onde se encontram as fases imaturas do inseto, neste caso, a água. O mosquito da dengue coloca seus ovos em lugares com água parada limpa. Embora na fase larval os insetos estejam na água, os ovos são depositados pela mãe na parede dos recipientes, aguardando a subida do nível da água para eclodirem.”

VII) ALGUNS VÍDEOS INTERESSANTES

“Cogito, ergo sum” (René Descartes)