ANTRAZ (Ou Carbúnculo) é o nome da doença altamente infecciosa causada pela bactéria Bacillus anthracis. Essa bactéria, assim como a doença, será descrita no decorrer desta leitura. Lembre-se que o conteúdo disponível nesse blog é puramente acadêmico. Não somos profissionais da saúde. Em caso de suspeita procure um posto de saúde ou hospital mais próximo.

B. anthracis

A bactéria causadora da doença supracitada é do gênero Bacillus, uma bactéria encapsulada (Cápsula antifagocítica no caso dessa bactéria), imóvel. As bactérias desse gênero são reconhecidas por possuírem um formato de bastonete sendo, em geral, patogênicas aos seres humanos e outros mamíferos. São produtoras de endósporos todas as espécies desse gênero. Muitas produzem toxinas, o que desencadeia a doença.

  • Endósporos: São estruturas dormentes e duras com fins não-reprodutivos produzidos por um grupo específico de bactérias. Sua função primária é garantir a sobrevivência da bactéria durante períodos de stress ambiental. São resistentes a muitos agentes químicos,  físicos, variações de temperatura e escassez de nutrientes vitais para a bactéria. Podem ser encontrados com mais facilidade no solo ou na água. Na B. anthracis esses endósporos são gerados quando ela é exposta ao gás oxigênio.

Essa bactéria, assim como outras do seu gênero, é Gram positiva, sendo, portanto, facilmente identificada adicionando o corante principal cristal violeta à solução contendo a cepa de bactérias destinadas a análise. Sendo a sua categoria Gram positiva isso significa que possuem uma parede celular espessa de peptideoglicano em volta de sua membrana plasmática (Na porção exterior da célula). Além do peptideoglicano encontramos também polissacarídeos denominados ácidos teicóicos na sua parede. Esses ácidos são polímeros de glicerol e ribitol fosfatos que estão ligados ao peptideoglicano ou à membrana plasmática. Carregados negativamente, eles podem ajudar no transporte de íons positivos para o interior ou para o exterior da célula e no armazenamento de fósforo.

ANTRAZ (Carbúnculo)

É uma doença comum em animais herbívoros (Selvagens ou domésticos) que também pode afetar o ser humano (Já que este pode estar exposto a algum dos animais infectados, tecidos dos mesmos ou elevadas concentrações de endósporos da bactéria B. anthracis).

Essa doença se torna grave e de alta virulência quando os endósporos da bactéria são inalados ou atingem um número superior a dez mil endósporos (Esse número pode ser letal). Nas “Notas Adicionais” no final desse post descreveremos o potencial dessa bactéria para se tornar (Assim como já foi usada no ano de 2001) o principio ativo de armas biológicas.

Nos seres humanos os casos da doença se devem por exposição aos animais infectados, ingestão de carne contaminada, ou pele. A doença se manifesta de três maneiras: Cutânea, pulmonar e gastrointestinal. Não há relatos de transmissão de doenças entre humanos por contágio direto (Contato entre humanos). Normalmente o contágio se da por contato com os endósporos da bactéria.

1.      Cutânea – A maioria das infecções ocasionadas de forma natural pela B. anthracis é dessa forma. O número de mortes é mínimo quando tratada a doença. A infecção cutânea tem inicio com uma pequena pápula que progride para uma vesícula em um ou dois dias e erupciona deixando uma úlcera necrótica com centro enegrecido (Vide NA no final desse post). A lesão é normalmente indolor. Outros sintomas podem ser febre, mal-estar, dor de cabeça e possível inflamação dos linfonodos adjacentes.

2.      Gastrointestinal – Normalmente possui como causa a ingestão de carne contaminada pelo agente etiológico. É caracterizada por uma inflamação aguda no trato digestivo. Existem ferimentos na base da língua ou nas tonsilas palatinas (Nome atual das antigas “amígdalas”), com dor de garganta, febre, disfagia e inflamação dos linfonodos da região (Linfoadenopatia regional). Há também inflamação aguda do intestino. Sinais iniciais de náusea, perda de apetite, vômito e febre são seguidos por dor abdominal, hematemese e melena (Saída de sangue de origem gastrointestinal pela boca e excreção de fezes pastosas de cor escura de odor fétido – sinal de hemorragia proveniente da porção do estômago ao intestino delgado devido à coloração – respectivamente).

3.      Pulmonar – É resultado da inspiração de endósporos da B. anthracis. O período de incubação é inversamente proporcional a dose de exposição. B. anthracis continua na forma de endósporos por muitas semanas o que normalmente não ocorre nos outros modos da doença, fato estudado em diversas pesquisas. Os endósporos germinam no interior do pulmão e iniciam a multiplicação nos macrófagos alveolares. Os sintomas iniciais incluem dor de garganta, febre moderada e dores musculares. Depois de alguns dias, estes sintomas podem evoluir para dispnéia (Falta de ar) e choque (Choque Séptico – Nesse caso ocorre a vasodilatação de todos os vasos sanguíneos de forma inapropriada devido à liberação das endotoxinas pela bactéria). Frequentemente se desenvolve meningite (Vide NA).  Os endósporos são fagocitados por macrófagos alveolares que se deslocam até os linfonodos da região e durante o deslocamento os endósporos germinam dentro dos macrófagos tornando-se bactérias vegetativas. Essas bactérias são liberadas e multiplicam-se nos linfonodos, causando mediastinite (inflamação do mediastino – onde estão localizados coração, pulmões, grandes vasos e outras estruturas importantes) hemorrágica, e se disseminam pelo corpo através da corrente sanguínea.

A imagem abaixo ilustra o ciclo do contágio da doença. Verificamos a partir da imagem que mosquitos também podem transmitir os endósporos para o ser humano (Assim como o contato com o solo e água contaminados que não estão tão explícitos na figura).

TRATAMENTO

Para o tratamento do ANTRAZ são utilizados agentes antimicrobianos, como as penicilinas e a doxiciclina. Nos casos de ANTRAZ respiratório, gastrointestinal, meníngeo e cutâneo com sinais de envolvimento sistêmico (Edema extenso, ou de lesões na cabeça e pescoço) requerem terapia intravenosa. Apesar do tratamento precoce e intenso, o prognóstico dos pacientes com ANTRAZ respiratório, gastrointestinal, meníngeo permanece obscuro. A terapia com antibióticos deve ser mantida pelo menos quatorze dias após a remissão dos sintomas.

Para pacientes alérgicos a penicilina pode-se usar cloranfenicol, eritromicina, tetraciclina, ou ciprofloxacina. Nos casos em que se suspeita da resistência a penicilina e a doxiciclina deve-se administrar ciprofloxacina empiricamente.

Ainda não existem preparações contra toxinas da B. anthracis, portanto, o tratamento precoce é essencial. Caso a doença atinja certo ponto conhecido como “Não-Retorno” é pouco provável que o paciente sobreviva, mesmo com o tratamento coreto. As toxinas são cumulativas e ficam retidas pelo organismo mesmo após a morte das bactérias por algum tempo (Tempo este capaz de levar o dito paciente nesse estágio para os braços da morte).

PREVENÇÃO

As maneiras de se prevenir o antraz é evitar o contato com animais e produtos contaminados e evitar comer carne mal cozida. Outra forma de prevenção é a vacina. A vacina tem 93% de eficácia na proteção contra a infecção. Depois de tomada a primeira dose deve se tomar as doses subsequentes em duas e quatro semanas, e seis,doze e dezoito meses depois da data da primeira vacinação. Assim que completo o cronograma, reforços são recomendados anualmente. Vale a pena lembrar que a vacina de animais não deve ser usada em humanos.

NOTAS ADICIONAIS (NA)

1.      O nome antraz (Em português) deriva do grego anthrax que se traduz como “carvão” devido à relação entre esse composto de carbono e a coloração dos ferimentos.

2.      Durante a leitura de um livro religioso famoso (A Bíblia), encontramos Moisés e as dez pragas do Egito. Uma das pragas (Possivelmente ANTRAZ) foi a causadora de ulcerações na pele da população egípcia. Muitos relatos indicam que essa doença é uma velha conhecida da humanidade. O que nos leva crer que poderia ser essa doença é a descrição de como foi o ritual e como se descrevia a praga: “Deus instrui Moisés a tomar mãos cheias de cinza de forno e a espalhar o pó, provocando nos homens e nos animais tumores que se arrebentem em úlceras por toda a terra do Egito.”

3.      ANTRAZ Meníngea – O envolvimento das meninges é uma complicação rara do antraz. A porta de entrada mais comum é a pele. A bactéria pode se disseminar para o sistema nervoso central através de disseminação hematogênica ou linfática. Meningite por antraz é quase sempre fatal. A morte ocorre de um a seis dias após o inicio da doença, apesar da terapia intensiva com antibióticos. Além dos sintomas meníngeos e rigidez de nuca, os pacientes apresentam febre, fatiga, mialgia, cefaléia, náuseas, vômitos, e algumas vezes agitação, convulsões, e delírio. Os sintomas iniciais são seguidos por rápida degeneração neurológica e morte. Os achados encontrados na patologia são meningite hemorrágica, edema extenso, infiltrado inflamatório, e numerosas bactérias gram-positivas na leptomeninge. O fluido cefalorraquidiano é freqüentemente sanguinolento e contem bacilos gram-positivos.

4.      Em 2001 foram registrados vários casos de ataques biológicos nos EUA por endósporos de B. anthracis enviados em cartas para a população e departamentos do governo. Muitas mortes ocorreram e o evento aconteceu uma semana após a queda das Torres Gêmeas. Abaixo uma das cartas enviadas pelos terroristas (Há possível envolvimento de um cientista americano no caso).

Carta enviada por terroristas demonstrando o verdadeiro objetivo da carta contendo endósporos da bactéria B. anthracis.

Tradução da carta:

“09-11-01

Vocês não podem nos impedir.

Nós temos esse antraz.

Vocês morrem agora.

Vocês estão assustados?

Morte à América.

Morte a Israel.

Alá é Grande.”