VÍRUS

Entre os seres vivos a diversidade de espécies é extremamente grande. Podemos encontrar formas de vida bastante diferentes entre si e, ao mesmo, formas de vida muito semelhantes. Essas diferenças e semelhanças se devem, em princípio, ao seu material genético que contém as características hereditárias das espécies e são transmitidas de geração a geração por meio de reprodução sexuada.

Esses seres vivos são agrupados em reinos de acordo com suas características morfológicas, fisiológicas e grau de desenvolvimento. Entretanto, um grupo de seres vivos, os VÍRUS, chama a atenção pela sua organização simples. Por essa simplicidade, os VÍRUS são classificados num grupo a parte e não se encaixam em nenhum reino.

I) CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS

VÍRUS são os únicos organismos, entre todos, que apresentam apenas organização molecular, sendo formados por moléculas de proteínas e um único tipo de ácido nucléico no qual encontramos as características hereditárias de cada espécie.

Os VÍRUS não possuem metabolismo próprio e, por isso são parasitas intracelulares obrigatórios. Esses organismos necessitam do equipamento bioquímico de uma célula hospedeira para poder realizar o processo de reprodução. Podem parasitar organismos procariontes, como as bactérias, ou eucariontes, como os animais e vegetais.

Fora das células hospedeiras não apresentam normalmente atividade e, muitos tipos de VÍRUS vagam na atmosfera por um longo tempo, quando assumem uma forma de cristal. Todavia, há algumas formas de VÍRUS que, em contato com o ar atmosférico, sofrem ressecamento e acabam sedo destruídos como, por exemplo, o HIV.

Segundo The Medical News, “o Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV) desenvolveu o sistema de classificação atual e escreveu as diretrizes que colocar um peso maior sobre as propriedades de determinados vírus para manter a uniformidade da família. Uma taxonomia unificada (um sistema universal para classificar os vírus) foi estabelecida. O 7 º Relatório lCTV formalizada pela primeira vez o conceito de espécies de vírus como o menor taxon (grupo) em uma hierarquia de ramificação dos taxa viral. No entanto, actualmente apenas uma pequena parte da diversidade total de vírus tem sido estudada, com análises de amostras de seres humanos constatação de que cerca de 20% das seqüências do vírus recuperado não ter sido visto antes, e as amostras do meio ambiente, tais como a água do mar e de sedimentos oceânicos, descobrindo que a grande maioria das seqüências são completamente novos.”

“A estrutura geral taxonômica é a seguinte:

Ordem (-virales)

Família (-viridae)

Subfamília (-virinae)

Gênero (”vírus”)

Espécie (”vírus”)”

II) ORGANIZAÇÃO DOS VÍRUS

Em relação aos níveis de organização, os VÍRUS estão apenas no molecular, e muitos autores só os consideram seres vivos quando estão reproduzindo-se no interior de uma célula hospedeira.

A organização de um VÍRUS apresenta uma capsula protéica e um único tipo de material genético, que pode ser DNA ou RNA, nunca os dois ao mesmo tempo. A cápsula protéica realiza a função de proteger o material genético, local onde são encontradas as características genéticas de cada organismo.

Entre os VÍRUS, há algumas espécies, como o HIV, que apresentam uma organização um pouco maior. O HIV, que é responsável pela AIDS, apresenta além da cápsula protetora e material genético, moléculas de proteína e lipídios na sua estrutura.

Considerando apenas o material genético encontrado no interior da cápsula dos VÍRUS, podemos dividi-los em dois grupos. Assim, temos o VÍRUS de DNA como o Bacteriófago, parasita específico de bactérias, e os VÍRUS de RNA como o HIV, que parasita linfócitos humanos.

III) CICLO DE VIDA DOS VÍRUS

O ciclo de vida de um VÍRUS é realizado totalmente no interior de uma célula hospedeira. Esses organismos utilizam as estruturas celulares e consomem grande parte da energia da célula para a produção das peças virais. Essas peças, cápsula protéica e material genético, são produzidas separadamente e depois unidas para a formação de novos organismos.

Esse ciclo de vida pode ser de dois tipos: lítico e lisogênico. Quando o ciclo é lítico, a célula hospedeira é destruída, isto é, sofre lise, e no final do processo reprodutivo do VÍRUS a célula morre. O ciclo é do tipo lisogênico quando o VÍRUS não promove a destruição da célula hospedeira.

No ciclo de vida lítico, do bacteriófago, o VÍRUS introduz na célula hospedeira apenas seu material genético (DNA) que passa a comandar o metabolismo celular. Dessa forma, enzimas presentes no citoplasma da célula passam a produzir inúmeras cópias do DNA viral por meio do processo de replicação. Esse DNA viral é transcrito e ocorre a formação de RNA(m) viral que, junto com os ribossomos produzem várias cópias da cápsula do VÍRUS. Em seguida, o material genético do VÍRUS é colocado no interior da cápsula protéica e os novos VÍRUS estão prontos. Ao final do ciclo, a bactéria sofre lise (ruptura) e os VÍRUS produzidos são eliminados ao ambiente, podendo então parasitar outras bactérias e recomeçar o ciclo.

Considerando o ciclo lisogênico, também do bacteriófago, o DNA viral é introduzido no citoplasma e se incorpora ao DNA bacteriano. Nesse caso,  o material genético celular viral passa a fazer parte do material genético celular aumentando as características genéticas da bactéria. No processo, a célula bacteriana não sofre lise.

IV) DOENÇAS CAUSADAS POR VÍRUS

Todos os VÍRUS são parasitas intracelulares obrigatórios e, quando realizam o seu ciclo de reprodução, provocam viroses prejudicando os organismos hospedeiros. As viroses são as doenças causadas por VÍRUS  e podem ocorrer, principalmente, nos vegetais e animais. Uma virose pode ser disseminada numa população de várias maneiras como a reprodução, o contato físico entre os organismos ou ainda pelo ar.

Entre os vegetais, podemos citar a virose do mosaico do tabaco, a virose do enrolamento da folha da videira ou a virose que causa manchas nas nervuras de várias plantas. Essas viroses, por afetarem plantas com grande interesse econômico para o homem, acabam sendo objeto de estudo dos institutos de pesquisas agrárias.

Nos animais, as viroses são bastante comuns, principalmente nas populações muito numerosas por causa da fácil disseminação do VÍRUS entre os indivíduos.

Nos seres humanos, as viroses se propagam com grande rapidez dependendo das condições de vida que a população apresenta. Em países pobres, essa propagação é muito mais rápida em razão da falta de recursos para a prevenção da doença. Numa determinada população, o número de pessoas afetadas pela virose é muito maior entre crianças e idosos do que nos adultos.

O combate a essas doenças é feito por meio da produção de anticorpos pelo organismo após o reconhecimento desses antígenos pelos glóbulos brancos, è importante lembrar que a prevenção é a medida principal para a diminuição do número de pessoas afetadas por uma determinada doença.

IV-a) DEFINIÇÕES EPIDEMIOLÓGICAS

Segundo a Wikipédia, Agente etiológico “é a denominação dada ao agente causador de uma doença. Normalmente, este causador precisa de um vetor para proliferar tal doença (ou seja, completar seu ciclo de parasitismo). Este vetor pode ser animado ou inanimado. Existem centenas de agentes etiológicos dos quais podem causar, se não tratados, uma série de más consequências. Dentro dessas centenas de agentes etiológicos, há que ter em conta que podem ser de origem endógena ou exógena.

Ainda, segundo a Wikipédia vetor (epidemiologia) “é todo ser vivo capaz de transmitir um agente infectante, de maneira ativa ou passiva.

Um agente infectante é qualquer parasita capaz de infectar um organismo. A transmissão ativa ocorre quando o vetor é infectado e então, infecta outra espécie de organismo. A maneira passiva ocorre quando o vetor não é infectado pelo agente infectante, mas causa a infecção de outra espécie de organismo.

Em Biologia, hospedeiro é um organismo que abriga outro em seu interior ou o carrega sobre si.

Uma epidemia se caracteriza pela incidência, em curto período de tempo, de grande número de casos de uma doença.”

“A ocorrência, numa comunidade ou região, de casos de doença, acidente, malformação congênita, comportamento especificamente relacionado com a saúde ou outros acontecimentos relacionados com a saúde que ocorre em um determinado momento e espaço, é um fato até aqui normal, já que interagimos com o ambiente e outras formas de vida. Um surto epidêmico ocorre quando há um grande desequilíbrio com o agente (ou surgimento de um), sendo este posto em vantagem. Este desequilíbrio é comum quando uma nova estirpe do organismo aparece (mutação) ou quando o hospedeiro é exposto pela primeira vez ao agente.

Segundo InfoEscola,

Endemia é uma doença localizada em um espaço limitado denominado “faixa endêmica”. Isso quer dizer que, endemia é uma doença que se manifesta apenas numa determinada região, de causa local.

A pandemia é uma epidemia que atinge grandes proporções, podendo se espalhar por um ou mais continentes ou por todo o mundo, causando inúmeras mortes ou destruindo cidades e regiões inteiras.

“De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a pandemia pode se iniciar com o aparecimento de uma nova doença à população, quando o agente infecta os humanos, causando doença séria ou quando o agente esparrama facilmente e sustentavelmente entre humanos. Os critérios de definição de uma pandemia são os seguintes: a doença ou condição além de se espalhar ou matar um grande número de pessoas, deve ser infecciosa.

V) O VÍRUS DO HIV E A AIDS NA ESPÉCIE HUMANA

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é provocada por um VÍRUS do tipo retrovírus, que é caracterizado por apresentar a enzima transcriptase reversa, que realiza a produção de DNA, usando como molde um segmento de RNA. O HIV parasita as células dos linfócitos, glóbulos brancos importantes na produção de anticorpos de defesa. Destruindo esses linfócitos o HIV provoca um estado de imunodeficiência e, o portador fica vulnerável às doenças oportunistas em virtude da falta de anticorpos.

Esse tipo de VÍRUS pode ficar incubado no organismo por muito tempo sem ocorrer manifestação. Quando o VÍRUS se manifesta, provoca a deficiência no sistema de imunização do indivíduo, facilitando o aparecimento de uma série de infecções por todo o corpo, levando-o à morte.

A doença não tem cura (Com exceção ao caso do jovem na Europa), porém não é ela que provoca a morte do indivíduo, mas sim as doenças oportunistas que aparecem com a perda de imunidade. Portanto, a prevenção se torna indispensável na luta contra a doença. As principais medidas de prevenção são: o uso de preservativos nas relações sexuais; a realização de exames para detectar a presença do HIV no sangue usado numa possível transfusão de sangue e a utilização de seringas descartáveis.

A transmissão da doença se dá, principalmente, por relações sexuais sem o uso de preservativos, transfusão de sangue e seringas compartilhadas. De maneira menos comum, a doença é transmitida pela placenta ou pela amamentação.

VI) DENGUE

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida, no Brasil, através do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Atualmente, a dengue é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o mundo.

Em todo o mundo, existem quatro tipos de dengue, já que o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4.

A dengue é conhecida no Brasil desde os tempos de colônia. O mosquito Aedes aegypti tem origem africana. Ele chegou ao Brasil junto com os navios negreiros, depois de uma longa viagem de seus ovos dentro dos depósitos de água das embarcações.

Segundo a Wikipédia, “A transmissão se faz pela picada da fêmea contaminada do mosquito Aedes aegypti/Aedes albopictus, pois o macho se alimenta apenas de seiva de plantas. No Brasil, ocorre com maior frequência o Aedes aegypti. Após um repasto de sangue infectado, o mosquito está apto a transmitir o vírus, depois de 8 a 12 dias de incubação extrínseca. A transmissão mecânica também é possível, quando o repasto é interrompido e o mosquito, imediatamente, se alimenta num hospedeiro susceptível próximo. Um único mosquito desses em toda a sua vida (45 dias em média) pode contaminar até 300 pessoas.“

“Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia, nem de fontes de água ou alimento.”

“O diagnóstico é feito clinicamente e por meio de exames laboratoriais. As pessoas em áreas endêmicas que têm sintomas como febre alta devem consultar um médico para fazer análises sendo que o diagnóstico normalmente é feito por isolamento viral através de inoculação de soro sanguíneo (IVIS) em culturas celulares ou por sorologia esse procedimento é essencial para saber se o paciente é portador do vírus da dengue.”

“A definição da Organização Mundial de Saúde de febre hemorrágica de dengue tem sido usada desde 1975. Todos os quatro critérios devem ser preenchidos:

1. Febre;

2. Tendência hemorrágica (teste de torniquete positivo, contusões espontâneas, sangramento da mucosa, vômito de sangue ou diarréia sanguinolenta);

3. Trombocitopenia (<100.000 plaquetas por mm³);

4. Evidência de vazamento plasmático (hematócrito mais de 20% maior do que o esperado ou queda no hematócrito de 20% ou mais da linha de base após fluido IV, derrame pleural, ascite, hipoproteinemia).”

“A determinação da doença por exame de laboratório faz-se através de testes sorológicos, com presença de anticorpos classe IgM (única amostra de soro) ou “IgG” (aumento de título em amostras pareadas) ou isolando o agente etiológico, que é o método mais específico. Estes dois exames são complementares.”

Para o tratamento “o paciente é aconselhado pelo médico a ficar em repouso e beber líquidos. É importante então evitar a automedicação, porque pode ser perigosa, já que a prescrição médica desaconselha usar remédios à base de ácido acetilsalicílico (AAS) ou outros antiinflamatórios não-esteróides (AINEs) normalmente usados para febre, porque eles facilitam a hemorragia. Contudo, caso o nível de plaquetas desça abaixo do nível funcional mínimo (trombocitopenia) justifica-se a transfusão desses elementos e quanto a outros medicamentos ou vacina para a cura, ainda não existem.”

“Ainda não há vacinas comercialmente disponíveis para a dengue, mas a comunidade científica internacional e brasileira está trabalhando firme neste propósito.”

“A dengue, com quatro vírus identificados até o momento, é um desafio para os pesquisadores, pois a sua vacina é mais complexa que as demais. É necessário fazer uma combinação de todos os vírus para que se obtenha um imunizante realmente eficaz contra a doença.”

Sobre a prevenção e a profilaxia, “o controle é feito basicamente através do combate ao mosquito vetor, principalmente na fase larval do inseto. Deve-se evitar o acúmulo de água em possíveis locais de desova dos mosquitos. Quanto à prevenção individual da doença, aconselha-se o uso de janelas teladas, além do uso de repelentes.

É importante tratar de todos os lugares onde se encontram as fases imaturas do inseto, neste caso, a água. O mosquito da dengue coloca seus ovos em lugares com água parada limpa. Embora na fase larval os insetos estejam na água, os ovos são depositados pela mãe na parede dos recipientes, aguardando a subida do nível da água para eclodirem.”

VII) ALGUNS VÍDEOS INTERESSANTES

“Cogito, ergo sum” (René Descartes)