INTRODUÇÃO

Pertencentes ao Domínio Eukaryota são, em geral*, organismos autotróficos que possuem organelas membranosas, em especial cloroplastos**, que são capazes, na presença de luz de frequência correta, de sintetizar compostos orgânicos utilizando compostos inorgânicos durante o processo de fotossíntese.

FOTOSSÍNTESE: Do grego em genitivo singular φωτός, photos, “da luz”. Grego em nominativo σύνθεσις, synthesis, “geração por união, formação”, que em biologia podemos traduzir por “produção ou geração de energia na célula” e em química “formação de uma substância complexa a partir de compostos mais simples”. “Da luz, criação”.

Ao longo dos anos esse reino sofreu modificações em sua estrutura. Linneu, o pai da taxonomia, agrupou no reino Plantæ Algas, “plantas superiores” e fungos. Havia também a definição dada por Aristóteles que plantas seriam seres desprovidos de habilidades motoras ou órgãos sensitivos.

Após a descoberta de organismos unicelulares foram adicionadas bactérias e algas no reino plantæ.

Hoje devido à cladística – método moderno de taxonomia que enfatiza a relação evolutiva, onde um clado ou taxon (pl. taxa) deve ser monofilético – seres como algas, fungos e bactérias foram removidos do reino das plantas. O Reino Viridæplantæ é monofilético e é composto por indivíduos eucarióticos que fotossintetizam utilizando clorofilas A e B presentes em seus cloroplastos. Armazenam energia em sua modalidade química, em moléculas de glicose que compõem amido. As plantas possuem em suas células parede celular formada basicamente e essencialmente por glicose.

*Algumas plantas não realizam fotossíntese, e são parasitas de outras plantas.

**A teoria da endossimbiose explica a existência de cloroplastos (e mitocôndrias) em organismos eucariontes.

DIVISÕES

As plantas podem ser divididas em Bryophyta (sensu lato***) (I), Tracheophyta (II) e Spermatophyta (III). Os representantes das três divisões “mais importantes” serão comentados nos tópicos abaixo: Bryophyta (sensu stricto****) (I), Pteridophyta (II), Gymnospermæ (III) e Angiospermæ (III).

***Sentido mais amplo;

****Sentido mais específico.

BRYOPHYTA (Sensu lato)

Essa divisão é caracterizada por não possuir sistemas vasculares nem raízes, folhas e caule verdadeiros. São descendentes de algas verdes e foram os pioneiros no povoamento terrestre há milhões de anos atrás.

O ambiente onde habitam é úmido e muitas vezes com uma luminosidade um pouco baixa (poderíamos dizer “penumbrófilos”, visto que “umbrófilos” seriam aqueles indivíduos que preferem extrema sombra), somente a necessária para realização de fotossíntese.

As briófitas (bryon: musgo; e phyton: planta) não produzem flores (são criptógamas) e são, na linha evolutiva, a transição entre algas verdes clorofíceas e plantas vasculares.

Essas plantas são muito importantes para os ecossistemas que compõem. Formam desde florestas tropicais até tundras. Servem de abrigo para microssistemas, retenção de nutrientes e água, além de evitar erosão dos solos.

As briófitas possuem gametângios (anterídios e arquegônios, masculinos e femininos respectivamente), retêm o zigoto e o embrião pluricelular em desenvolvimento no arquegônio. Apresentam esporófito pluricelular diploide.

São três as divisões de indivíduos que compõem o subreino bryophyta. São eles:

  1. Hepaticophyta;
  2. Anthrocerotophyta;
  3. Bryophyta (sensu stricto).

Atentaremos-nos a divisão Bryophyta (sensu stricto) por representarem os conhecidos musgos.

BRYOPHYTA (Sensu stricto)

Essa divisão é composta pelos musgos. Suas estruturas são denominadas rizoide (pêlos absorventes), filódeos e cauloides. Por não apresentarem vasos vasculares realizam o transporte de nutrientes através de difusão (o que explica o seu tamanho reduzido e limite de crescimento).

São dependentes de água porque seus gametas são flagelados. Durante os períodos de chuva os gametas masculinos são levados pelas gotas e gotículas de água até o encontro com gametas femininos. As plantas dessa divisão possuem um gênero único (ou são só masculinas ou só femininas), e crescem muito próximas umas às outras, o que forma o chamado “tapete de musgo” (colônias) em encostas, troncos ou pedras.

Após a formação do zigoto, há a formação do esporófito que libera inúmeros esporos de briófitas que germinam e reiniciam o ciclo de reprodução.

(Vide a imagem abaixo sobre o ciclo de reprodução de uma briófita)PTERIDOPHYTA

As pteridófitas são um grupo de vegetais sem semente e possuidores de vasos condutores. Possuem raízes, caules e folhas e possuem como principais representantes as samambaias.

Nas pteridófitas o período mais longo é onde se encontram os esporófitos. Eles possuem maior dimensão do que gametófitos (que podem ser minúsculos). Muitos gametângios podem realizar associação com fungos para que possam sobreviver e consolidar a espécie. Assim como as briófitas, a união dos gametas gera um embrião que dá origem a um esporófito. Para que haja união dos gametas é necessária água.

As pteridófitas (samambaias e plantas afins) constituem um grupo de plantas relativamente importantes, estimando-se o total de espécies no mundo como sendo 9.000 (há quem estime 10.000 a 12.000 espécies), das quais cerca de 3.250 ocorrem nas Américas. Destas, cerca de 30% podem ser encontradas no território brasileiro, que abriga inclusive um dos centros de endemismo e especiação de pteridófitas do Continente.

As pteridófitas, como as briófitas, se reproduzem por meio de um ciclo que apresenta uma fase assexuada e outra sexuada.

Uma samambaia-de-metro, por exemplo, que é comum em residências, é uma planta assexuada produtora de esporos. Por isso, ela representa a fase chamada de esporófito.

Em certas épocas, na superfície inferior das folhas da samambaia, formam-se pontos escuros chamados de soros, onde se produzem os esporos.

Quando os esporos amadurecem, os soros abrem-se, deixando-os cair no solo úmido; cada esporo, então, pode germinar e originar um prótalo, uma plantinha bem pequena em forma de coração. O prótalo é uma planta sexuada, produtora de gametas; por isso, ele representa a fase chamada de gametófito.

No prótalo, formam-se os anterozóides e as oosferas. Os anterozóides, deslocando-se em água, nada em direção à oosfera, fecundando-a. Surge, então, o zigoto, que se desenvolve, transformando-se em uma nova samambaia. Quando adulta essa planta forma soros, iniciando novo ciclo de reprodução.

Este processo de reprodução em um ciclo com uma fase assexuada e outra sexuada denomina-se alternância de gerações.

(Vide ciclo reprodutivo de uma samambaia)GYMNOSPERMÆ

As gimnospermas (do grego Gymnos: nu; e sperma: semente) são plantas terrestres que vivem, preferencialmente, em ambientes de clima frio ou temperado. Nesse grupo incluem-se plantas como pinheiros, as sequóias e os ciprestes.

As gimnospermas possuem raízes, caule e folhas. Possuem também ramos reprodutivos com folhas modificadas chamadas estróbilos. Em muitas gimnospermas, como os pinheiros e as sequóias, os estróbilos são bem desenvolvidos e conhecidos como cones – o que lhes confere a classificação no grupo das coníferas. Há produção de sementes: elas se originam nos estróbilos femininos. No entanto, as gimnospermas não produzem frutos. Suas sementes são “nuas”, ou seja, não ficam encerradas em frutos.

O estróbilo masculino produz pequenos esporos chamados grãos de pólen. O estróbilo feminino produz estruturas denominadas óvulos. No interior de um óvulo maduro surge um grande esporo.

Quando um estróbilo masculino se abre e libera grande quantidade de grãos de pólen, esses grãos se espalham no ambiente e podem ser levados pelo vento até o estróbilo feminino. Então, um grão de pólen pode formar uma espécie de tubo, o tubo polínico, onde se origina o núcleo espermático, que é o gameta masculino. O tubo polínico cresce até alcançar o óvulo, no qual introduz o núcleo espermático.

No interior do óvulo, o grande esporo que ele abriga se desenvolve e forma uma estrutura que guarda a oosfera, o gameta feminino. Uma vez no interior do óvulo, o núcleo espermático fecunda a oosfera, formando o zigoto.

Este, por sua vez, se desenvolve, originando um embrião. À medida que o embrião se forma, o óvulo se transforma em semente, estrutura que contém e protege o embrião.

Nos pinheiros, as sementes são chamadas pinhões. Uma vez formados os pinhões, o cone feminino passa a ser chamado “pinha”. Se espalhadas na natureza por algum agente disseminador, as sementes podem germinar. Ao germinar, cada semente origina uma nova planta. Além disso, as sementes armazenam reservas nutritivas, que alimentam o embrião e garantem o seu desenvolvimento até que as primeiras folhas sejam formadas. A partir daí, a nova planta fabrica seu próprio alimento pela fotossíntese.

(Vide ciclo reprodutivo de gimnospermas).ANGIOSPERMÆ

As angiospermas produzem raiz, caule, folha, flor, semente e fruto. Considerando essas estruturas, perceba que, em relação às gimnospermas, as angiospermas apresentam duas características especiais: as flores e os frutos.

As flores podem ser vistosas tanto pelo colorido quanto pela forma; muitas vezes também exalam odor agradável e produzem um líquido açucarado – o néctar – que serve de alimento para as abelhas e outros animais. Há também flores que não têm peças coloridas, não são perfumadas e nem produzem néctar.

AS PARTES DA FLOR

Os órgãos de suporte – órgãos que sustentam a flor, tais como:

Pedúnculo – liga a flor ao resto do ramo.

Receptáculo – dilatação na zona terminal do pedúnculo, onde se inserem as restantes peças florais.

Órgãos de proteção

Órgãos que envolvem as peças reprodutoras propriamente ditas, protegendo-as e ajudando a atrair animais polinizadores. O conjunto dos órgãos de proteção designa-se perianto. Uma flor sem perianto diz-se nua.

Cálice – conjunto de sépalas, as peças florais mais parecidas com folhas, pois geralmente são verdes. A sua função é proteger a flor quando em botão. A flor sem sépalas diz-se assépala. Se todo o perianto apresentar o mesmo aspecto (tépalas), e for semelhante a sépalas diz-se sepalóide. Neste caso diz-se que o perianto é indiferenciado.

Corola – conjunto de pétalas, peças florais geralmente coloridas e perfumadas, com glândulas produtoras de néctar na sua base, para atrair animais. A flor sem pétalas diz-se apétala. Se todo o perianto for igual (tépalas), e for semelhante a pétalas diz-se petalóide. Também neste caso, o perianto se designa indiferenciado.

Órgãos de reprodução

Folhas férteis modificadas, localizadas mais ao centro da flor e designadas esporófilos. As folhas férteis masculinas formam o anel mais externo e as folhas férteis femininas o interno.

Androceu – parte masculina da flor, é o conjunto dos estames. Os estames são folhas modificadas, ou esporófilos, pois sustentam esporângios. São constituídas por um filete (corresponde ao pecíolo da folha) e pela antera (corresponde ao limbo da folha);

Gineceu – parte feminina da flor: é o conjunto de carpelos. Cada carpelo, ou esporófilo feminino, é constituído por uma zona alargada oca inferior designada ovário, local que contém óvulos. Após a fecundação, as paredes do ovário formam o fruto. O carpelo prolonga-se por uma zona estreita, o estilete, e termina numa zona alargada que recebe os grãos de pólen, designada estigma. Geralmente o estigma é mais alto que as anteras, de modo a dificultar a autopolinização.

Os frutos contêm e protegem as sementes e auxiliam na dispersão na natureza. Muitas vezes eles são coloridos, suculentos e atraem animais diversos, que os utiliza como alimento. As sementes engolidas pelos animais costumam atravessar o tubo digestivo intactas e são eliminadas no ambiente com as fezes, em geral em locais distantes da planta-mãe, pelo vento, por exemplo. Isso favorece a espécie na conquista de novos territórios.

(Vide esquema de reprodução de uma angiosperma).